Sequência de Half-Life seria um caminho “fácil” para o sucesso da Valve?

Foi o que o GabeN deu a entender: a empresa optou por diversificar em vez de apostar em continuações do jogo

Giovana Penatti
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Entra ano, sai ano e lá vamos para o sétimo sem Half-Life 3 e sem nenhuma verdadeira evidência de que o jogo poderá, algum dia, existir. Gabe Newell, o CEO da Valve, nunca descartou (nem confirmou) a possibilidade do jogo. Mas, numa entrevista ao Washington Post, pelo menos deu uma espécie de explicação do porquê de não ter tido uma continuação até agora. Vai que isso consola seu coração, né?

GabeN falou majoritariamente da já bem conhecida estrutura de trabalho da Valve, na qual nenhum funcionário tem uma posição fixa, podendo trabalhar nos projetos que achar mais adequados e com horários e férias bem flexíveis. Se quiser mais detalhes de como é trabalhar na empresa que muita gente considera a dos sonhos, pode folhear o handbook para novos funcionários, que foi divulgado há algum tempo.

O CEO culpa em parte pelo sucesso da empresa essa estrutura, já que, num ramo que muda tão rapidamente, é melhor ter funcionários que se adaptem rapidamente aos extremamente especializados – além, claro, de garantir que sejam felizes e se sintam realmente valorizados. Ele comenta que um dos problemas frequentes é a pessoa ter que mudar de cidade com a família; para manter esse talento dentro da Valve, eles tentam resolver de uma maneira que a vida pessoal do funcionário não seja afetada e ele continue trabalhando para a empresa.

Outro aspecto dessa estrutura descentralizada que contribuiu para o sucesso da Valve é a possibilidade de diversificação. A empresa surgiu como uma produtora de jogos FPS e, hoje, conta com diversos títulos multiplayer no catálogo e uma gigante plataforma de distribuição de games, o Steam, que bateu a marca de 65 milhões de usuários.

A melhor imagem para ilustrar a espera por Half-Life 3

A melhor imagem para ilustrar a espera por Half-Life 3

Mas, respondendo à pergunta fundamental, por que não temos uma sequência para Half-Life? GabeN dá a entender que é justamente esse o motivo: a diversificação de produtos. “Poderíamos ter sido muito bem sucedidos fazendo sequência após sequência de Half-Life. Mas, coletivamente, decidimos tentar fazer jogos multiplayer, mesmo que nunca tivesse havido um multiplayer comercialmente bem sucedido”, explica. O primeiro multiplayer que a Valve criou foi Team Fortress Classic, em 1999; também é dela a franquia Counter Strike e um dos títulos mais jogados atualmente, Dota 2.

Talvez não seja a resposta que os fãs de Half-Life esperavam, mas, pelo menos, é uma boa justificativa: você trocaria todos os outros produtos da Valve por um Half-Life 3? Eu, não. Ainda assim, sendo uma empresa grande e com diversos projetos diferentes em andamento, quem garante que um deles não possa acabar sendo HL3?

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