Como uma empresa conseguiu promover a estreia de um filme pelo Tinder

Renata Persicheto
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O SXSW (South by Southwest), maior evento focado em criatividade do mundo, acontece em pleno vapor em Austin, no Texas, enquanto você lê esta notícia. Com inovações nas áreas audiovisual e tecnológica, o festival chama a atenção do mundo, mas o que tem chamado atenção dentro do festival, mesmo, é a disponibilidade de Ava, uma garota meio Natalie Portman no início da carreira, no Tinder da região.

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Um rápido esclarecimento caso você não seja muito fã dos aplicativos de encontros online: famoso por encontrar pessoas “perto” de você com os mesmos gostos (baseados em likes de Facebook), o Tinder deixa que o usuário escolha a faixa etária e região em que pescará seus alvos. Ao encontrar alguém legal que tenha ido com a sua cara, é possível curtir o perfil e, caso ambos combinem, um “match” instantâneo ocorre.

Isso posto, a garota de 25 anos faz aos seus “matches” perguntas capciosas antes de marcar um encontro. E na hora de conhecê-la um pouco melhor, vem a surpresa: todo o flerte faz parte de uma brilhante ação de marketing convidando para a premiere de Ex Machina, filme inglês que deve estrear em breve nos cinemas do mundo, durante o SXSW.

O escopo da campanha é simples e direto ao ponto: utilizando da geolocalização concentrada em Austin, o perfil de Ava distribui corações verdes pelos perfis com interesses semelhantes aos “seus”; dessa forma as possibilidades de match são imensamente maiores. Ao fisgar um pretendente que corresponda às necessidades da empresa, a garota engata um papo interessante sobre vida, universo e tudo mais – sem fugir do tema, mesmo que sutilmente, abordado pelo filme.

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Depois do alvo ser envolvido pela personalidade e aparência do personagem, segue a revelação: um perfil de Ava no Instagram, explicando maiores detalhes sobre a produção. E tudo isso fica mais claro se conhecermos a premissa do filme: Ava é um humanoide com inteligência artificial se passando por uma mulher (interpretada por Alicia Vikander). Um dos redatores do Adweek trocou algumas palavras com o bot e descreveu sua experiência aqui.

Por si só, a ação pode ser considerada como spam? Talvez, já que tudo não passa de um perfil falso promovendo um produto. Agora analisemos o background: divulgada em um evento cuja pauta gira em torno da criatividade, em que grande parte do público é composto por influenciadores e profissionais do marketing e da publicidade, o intuito de Ava é claro e bem sucedido: falar diretamente (em resposta, já que o primeiro passo deve ser dado pelo perfil do espectador) com aqueles que espalhem o poder de sua campanha, divulgando o filme e apresentando um belo engajamento entre seu alvo.

Apesar do amor de Tinder não subir a serra, podemos dizer que, pela repercussão do caso na imprensa, a campanha deu certo.

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