Pai da bateria de lítio cria solução melhor que armazena mais energia e não explode

Felipe Ventura
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O físico John Goodenough tinha 57 anos quando se tornou o coinventor da bateria de íons de lítio. Hoje aos 94 anos, ele está tentando superar a própria criação.

Uma equipe de engenheiros na Universidade do Texas em Austin desenvolveu uma bateria totalmente sólida que não pega fogo e que carrega rapidamente.

Foto por Uwe Hermann/Flickr

As baterias comuns de lítio são feitas de um eletrólito líquido que transporta íons entre o ânodo (o lado negativo) e o cátodo (o lado positivo). Nesse eletrólito, às vezes se formam dendritos, projeções metálicas que crescem em meio ao líquido e que podem causar um curto-circuito.

Enquanto isso, a bateria criada pela equipe de Goodenough evita esse risco utilizando um eletrólito sólido de vidro. Ela também possui o triplo de densidade de energia que baterias comuns; suporta mais ciclos de recarga; e carrega mais rápido – em minutos, em vez de horas.

Além disso, a bateria sólida pode ser mais barata, já que permite usar um ânodo de sódio, extraído da água do mar e amplamente disponível. Também é possível usar um ânodo de lítio, mas este elemento é mais difícil de se obter – é extraído por evaporação da salmoura coletada de lagos no Chile, Argentina e Bolívia. O estudo foi publicado na revista Energy & Environmental Science.

Foto por University of Texas at Austin

John Goodenough

Já existem diversas propostas de baterias sólidas, mas esta em especial parece bem promissora, inclusive por contar com a ajuda do cocriador da bateria de lítio – que permitiu o surgimento de smartphones, tablets e laptops como os conhecemos hoje.

Como lembra a IEEE Spectrum, quando Goodenough coinventou a bateria de lítio na década de 1980, quase ninguém na indústria de eletrônicos de consumo levou o projeto a sério. Felizmente, seu trabalho acabou chamando a atenção de laboratórios japoneses e de empresas como a Sony.

Agora, ele tem mais autoridade para criar a tecnologia que poderá substituir as baterias de lítio. Ainda assim, como sempre acontece, deve demorar um pouco até vermos este estudo ganhando aplicações práticas.