Após vazamentos, Bolsonaro usará celular criptografado da Abin

Celular da Abin tem criptografia, mas não permite instalação de WhatsApp e apps de redes sociais

Emerson Alecrim
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O vazamento de conversas trocadas via Telegram entre o procurador Deltan Dallagnol e o então juiz Sérgio Moro ligou um sinal de alerta no governo Jair Bolsonaro: o presidente, o vice-presidente Hamilton Mourão e ministros usarão, a partir de agora, celulares criptografados fornecidos pela Agência Brasileira de Inteligência (Abin).

Não há pronunciamento oficial sobre o assunto, mas uma fonte próxima ao governo revelou ao jornal O Globo que a ordem agora é a de redobrar os cuidados com a segurança no âmbito digital.

Isso significa que, em vez de smartphones próprios e serviços populares de mensagens, como WhatsApp e Telegram, a alta cúpula do governo passará a se comunicar com telefones protegidos, pelo menos no que diz respeito a assuntos sigilosos.

Jair Bolsonaro (Foto: Isac Nóbrega/PR - 02/05/2019)

Jair Bolsonaro (Foto: Isac Nóbrega/PR)

Chamado de Terminal de Comunicação Segura (TCS), o celular disponibilizado pela Abin é protegido com criptografia e impede a instalação de aplicativos populares de redes sociais e mensagens instantâneas, incluindo os já mencionados WhatsApp e Telegram.

O impedimento para instalação dos aplicativos não tem necessariamente o intuito de impedir o seu uso, mas evitar que eventuais falhas ou limitações de segurança nessas ferramentas sejam exploradas para acesso indevido aos aparelhos.

Aparentemente, essa restrição é que fez o presidente Bolsonaro e ministros postergarem a adoção dos celulares protegidos da Abin: os aparelhos estavam à disposição dos membros do governo muito antes dos vazamentos de conversas virem à tona.

A mudança para o TCS não deixará o presidente Bolsonaro sem alternativas às ferramentas que ele está habituado a usar, pelo menos não totalmente. A dificuldade pode estar na adaptação: a Abin também fornece serviço de mensagens instantâneas, por exemplo, mas a ferramenta não é tão prática quanto o WhatsApp, a despeito de ser mais segura.

Emerson Alecrim

Repórter

Emerson Alecrim cobre tecnologia desde 2001 e entrou para o Tecnoblog em 2013, se especializando na cobertura de temas como hardware, sistemas operacionais e negócios. Formado em ciência da computação, seguiu carreira em comunicação, sempre mantendo a tecnologia como base. Em 2022, foi reconhecido no Prêmio ESET de Segurança em Informação. Participa do Tecnocast, já passou pelo TechTudo e mantém o site Infowester.

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