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Boeing se desculpa por tragédias do 737 Max enquanto tenta vencer crise

Na Paris Air Show, Boeing lamentou mortes com os aviões 737 Max 8 da Lion Air e Ethiopian Airlines

Emerson Alecrim

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A Paris Air Show é uma das maiores feiras da indústria aeroespacial. Mas, para a Boeing, a edição 2019, realizada nesta semana, não tem nada de empolgante: no evento, a empresa reconheceu que errou com o software dos aviões 737 Max e pediu desculpas pelas mortes nos acidentes da Lion Air e Ethiopian Airlines.

Boeing 737 Max 8 (imagem: Wikipedia)

Dennis Muilenburg, presidente-executivo da Boeing, vem sendo duramente criticado pelo modo como a companhia lidou com a crise inicialmente. Encurralado, o executivo reconheceu não só os problemas de software das aeronaves como também a falha de comunicação com companhias aéreas e órgãos reguladores.

Muilenburg fala especificamente do MCAS, software exclusivo da família 737 Max. Como esses aviões têm motores maiores e posicionados um pouco mais à frente na comparação com a geração anterior (os aviões 737 New Generation), o MCAS entra em ação como uma espécie de sistema de compensação.

Basicamente, esse software corrige a inclinação do avião sob determinadas circunstâncias de modo a evitar um estol (perda de sustentação). A falha de comunicação começa aqui: Muilenburg admitiu que a Boeing não orientou operadoras e reguladores sobre a atuação do MCAS.

Tudo indica que inconsistências em sensores de ângulo de ataque fizeram o MCAS agir equivocadamente nos voos da Lion Air e Ethiopian Airlines, causando os acidentes. Presume-se, portanto, que se os pilotos tivessem sido devidamente orientados sobre esse software, teriam conseguido evitar as tragédias.

Foi a vez então de Kevin McAllister, líder da divisão de aeronaves comerciais da Boeing, se pronunciar, também na Paris Air Show: “sentimos muito pela perda de vidas como consequência das tragédias”, uma referência óbvia às 346 vítimas fatais dos acidentes com os 737 Max 8 da Lion Air e Ethiopian Airlines.

McAllister também pediu desculpas às companhias aéreas que, como medida preventiva, decidiram manter as suas aeronaves 737 Max em terra até que o problema receba uma solução satisfatória — não é preciso ser especialista em aviação comercial para saber que avião parado é prejuízo na certa.

O que torna a situação da Boeing ainda mais delicada é que, embora a atualização do MCAS esteja praticamente pronta, a implementação desse software nas aeronaves requer tempo, não só por conta dos testes e refinamentos necessários, mas também porque órgãos reguladores precisam aprovar o procedimento.

Boeing 737 Max 8 da Lion Air (foto: Bathara Sakti/Flickr)

Boeing 737 Max 8 da Lion Air (foto: Bathara Sakti/Flickr)

Por conta disso, as companhias aéreas ainda não sabem ao certo quando poderão retomar as operações com os aviões 737 Max. E essa é só uma parte do problema: a própria Boeing alerta que levará tempo para que os passageiros voltem a confiar nesses aviões.

Essa é uma situação inusitada porque, se não a maioria, boa parte dos passageiros não presta atenção no modelo de aeronave em que vai viajar. Mas, depois das tragédias com os aviões 737 Max 8, talvez esse comportamento mude — sites de companhias aéreas e pesquisa de passagens quase sempre fornecem esse tipo de informação.

Diante desse cenário tão complexo, ninguém menos que Donald Trump sugeriu que, além de corrigir as aeronaves, a Boeing mudasse o nome da família 737 Max. A companhia não descarta essa possibilidade, mas diz que, por ora, não há planos para isso: o seu foco está em fazer esses aviões voltarem a voar o quanto antes.

Com informações: Ars Technica, CNN, Bloomberg.