Governo Bolsonaro quer acabar com exigência de tomada de três pinos

Padrão de três pinos foi exigido pelo Inmetro em 2000 e se tornou obrigatório no Brasil em 2011

Felipe Ventura
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Carlos Alexandre da Costa, secretário especial de Produtividade e Competitividade, está liderando os esforços do governo Jair Bolsonaro em acabar com a exigência da tomada de três pinos no Brasil. O padrão foi exigido pelo Inmetro em 2000 e se tornou obrigatório no país em 2011; assessores presidenciais dizem que esta é a “tomada do PT”.

Tomada de três pinos

Tomada de três pinos (foto por World Standards)

Ao Valor, o secretário especial Costa defende que este “é um tema que afeta a segurança, a concorrência e a produtividade”. Segundo ele, a tomada de três pinos dificulta a importação legal de equipamentos elétricos e gera custos de adaptação: aparelhos com outros plugues não podem ser fabricados nem importados desde 2010, e sua venda foi proibida em 2011.

No entanto, Costa não quer que todo mundo volte para o padrão anterior. Em vez disso, a tomada de três pinos se tornaria opcional e poderia conviver com o padrão antigo. Há também a ideia de adotar um terceiro padrão, que seria compatível com os dois utilizados no Brasil e com modelos de outros países.

Inmetro diz que mudança é “tecnicamente viável”

No início do ano, Costa solicitou uma análise de impacto regulatório ao Inmetro, e o órgão apontou mais prejuízos que vantagens para a substituição de plugues e tomadas no Brasil. Então, o secretário teria dado uma bronca em Angela Flôres Furtado, presidente do Inmetro. Ela diz em comunicado que “não existem divergências” e que há um “debate salutar”.

Depois, o Inmetro publicou uma nota técnica assinada por Angela que considera “tecnicamente viável a disponibilidade de outro padrão internacional de tomada”. O documento diz ser possível “flexibilizar a adoção de outro padrão de tomada preferido pelo consumidor, de acordo com a melhor aderência aos plugues de seus equipamentos eletroeletrônicos”.

Angela Flôres Furtado, presidente do Inmetro

Angela Flôres Furtado, presidente do Inmetro

Para flexibilizar a tomada de três pinos, seria necessário convocar uma reunião do Conmetro, conselho que reúne nove ministros e os presidentes do Inmetro, ABNT, IDEC (Instituto de Defesa do Consumidor), CNI (Confederação Nacional da Indústria) e CNC (Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo).

A preocupação da equipe econômica é que, em uma reunião como essa, os ministros iriam perder tempo “com discussões pouco importantes”, segundo o Valor. Seria necessário convocar os ministros da Justiça, Defesa, Ciência e Tecnologia, Relações Exteriores, Saúde, Educação, Meio Ambiente, Agricultura e Desenvolvimento Regional/Cidades.

Existem 14 tipos de plugues para tomada no mundo

De acordo com a IEC (Comissão Eletrotécnica Internacional), existem 14 tipos de plugues ao redor do mundo, sem contar as diferenças de corrente e tensão elétrica. Foi ela quem criou o IEC 60906-1, padrão usado como base para a tomada de três pinos no Brasil, e para um modelo semelhante na África do Sul.

Outros países não adotaram o padrão da IEC; na verdade, a União Europeia é contra a padronização de tomadas, pois isso levaria mais de 75 anos e geraria custos de €100 bilhões.

Por que existem tantos plugues diferentes? O IEC explica que poucos faziam viagens internacionais no início do século XX, quando a energia elétrica passou a se popularizar, então cada país tomou a liberdade de criar um conector próprio. Além disso, os esforços de padronização acabaram sendo adiados para os anos 50, depois da Primeira e Segunda Guerra Mundiais, quando as redes elétricas já estavam bem consolidadas.

Mapa mostra países que usam mesmo tipo de plugue: o Brasil tem padrão próprio, assim como a África do Sul; confira aqui a versão interativa.

Mapa de tomadas no mundo

Com informações: Valor.

Felipe Ventura

Felipe Ventura fez graduação em Economia pela FEA-USP, e trabalha com jornalismo desde 2009. Começou no TB em 2017 como editor de notícias, ajudando a cobrir os principais fatos de tecnologia, e hoje coordena um time de editores-assistentes e a rotina das editorias. Sua paixão pela comunicação começou em um estágio na editora Axel Springer na Alemanha. Foi repórter e editor-assistente no Gizmodo Brasil.

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