MPF investiga falhas de segurança de operadoras em invasões de celulares

O MPF quer apurar responsabilidade das operadoras ao permitir acesso facilitado à caixa postal de terceiros

Victor Hugo Silva
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O método que teria sido usado para acessar contas no Telegram de diversas autoridades será centro de inquérito civil público do Ministério Público Federal em Brasília. O órgão pretende investigar possíveis falhas cometidas pelas operadoras.

O ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, fala à imprensa na solenidade de entrega do Diploma de Mérito Coaf.

A Polícia Federal afirma que os suspeitos usaram VoIP para simular números de celulares usados pelo ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, além de procuradores, juízes, delegados federais e jornalistas.

Em seguida, eles teriam “ligado para si próprios” via VoIP para acessar a caixa postal e ouvir o código de ativação do Telegram Web para cada número. Os invasores teriam usado a mesma estratégia para tentar invadir contas do presidente Jair Bolsonaro e do ministro da Economia, Paulo Guedes.

Esta vulnerabilidade será o principal alvo da investigação do MPF. A investigação, no entanto, pode ser mais ampla e levar à identificação de outras falhas. Ao TeleSíntese, o SindiTelebrasil, que representa as operadoras, afirmou que as empresas têm diretrizes voltadas à segurança dos dados de seus clientes.

“As prestadoras também alertam para importância de o cliente optar pelos padrões de segurança mais rigorosos”, diz o SindiTelebrasil. “As operadoras também informam que desativaram o serviço que permitia acessar a caixa postal ligando para o próprio número”.

A investigação do MPF avaliará ainda a atuação da Anatel para proteger a privacidade de consumidores. Ao G1, a agência informou que está colaborando com a Polícia Federal e empregando os instrumentos e equipes técnicas disponíveis. “Para garantir o necessário sigilo à operação, não serão divulgadas mais informações no presente momento”, afirmou a Anatel.

Após o suposto método usado na invasão ter sido revelado, as operadoras bloquearam chamadas de um aparelho para o seu próprio número. A medida foi tomada por determinação da própria Anatel como uma tentativa de acabar com a vulnerabilidade exposta pela investigação.

Victor Hugo Silva

Victor Hugo Silva é formado em jornalismo, mas começou sua carreira em tecnologia como desenvolvedor front-end, fazendo programação de sites institucionais. Neste escopo, adquiriu conhecimento em HTML, CSS, PHP e MySQL. Como repórter, tem passagem pelo iG e pelo G1, o portal de notícias da Globo. No Tecnoblog, foi redator, escrevendo sobre eletrônicos, redes sociais e negócios, entre 2018 e 2021.

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