Foxconn diz que era da China como “fábrica do mundo” vai acabar

Foxconn tem expandido atuação em outros países para escapar de possíveis efeitos da guerra comercial contra China

Emerson Alecrim
Por

As sanções à Huawei e a ameaça de bloqueio ao TikTok são os principais exemplos do clima de tensão comercial entre Estados Unidos e China. No que aparenta ser um movimento para se resguardar dessa briga, a Foxconn se prepara para depender menos do país asiático. Para Young Liu, CEO da companhia, a era da China como “fábrica do mundo” vai chegar ao fim.

Foxconn

A Foxconn é conhecida por produzir o iPhone e outros produtos da Apple, mas a companhia tem várias outras empresas em sua carteira de clientes, muitas das quais são americanas (como Dell e HP).

Embora tenha fábricas na Europa e no Brasil, por exemplo, as linhas de produção mais importantes da companhia estão localizadas na China, com destaque para a unidade de Zhengzhou, na província de Henan. Esse complexo fabril é tão grande que recebeu o apelido de “iPhone City”.

Diversas fábricas respondem pela produção do iPhone, mas a principal é justamente a de Zhengzhou. Porém, Liu declarou no ano passado que, se necessário, pode mover a produção das linhas de celulares da Apple para fora da China.

Nesta semana, ao comentar sobre os resultados financeiros da Foxconn no trimestre encerrado em junho, o executivo deixou claro que a capacidade de produção da companhia fora da China vem aumentando gradualmente: se em junho de 2019 era de 25%, hoje está em 30%.

Apple iPhone 11 - Review

Essa proporção deve aumentar ainda mais nos próximos meses, pois a Foxconn continua montando fábricas fora da China, principalmente em países asiáticos.

A Índia, por exemplo, pode se tornar um grande produtor de iPhones, o que ajudaria inclusive a aumentar as vendas da linha no país — recentemente, o iPhone 11 começou a ser produzido por lá, justamente em instalações construídas pela Foxconn como parte de seu plano de expansão.

“Não importa se é na Índia, Sudeste Asiático ou nas Américas, haverá um ecossistema de produção em cada região”, afirma Liu. A China continuará sendo importante para as operações da companhia, mas a ideia é diversificar as bases de produção para evitar os efeitos de um possível aumento na taxação de produtos de origem chinesa causado pela guerra comercial.

Com informações: Bloomberg.

Relacionados

Relacionados