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EUA bloqueiam R$ 130 mi em criptomoedas ligadas a fraude no Brasil

Esquema de pirâmide da InDeal prometia retorno de 15% com criptomoedas; empresa chegou a 55 mil investidores

Felipe Ventura
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A InDeal Consultoria em Mercados Digitais coordenava um esquema de pirâmide financeira, prometendo retorno de 15% em um mês ao investir em criptomoedas; ela foi alvo da Operação Egypto, realizada pela Polícia Federal e Receita Federal no ano passado. E neste ano, o Ministério da Justiça conseguiu que o governo dos EUA bloqueasse US$ 24 milhões — ou quase R$ 130 milhões — ligados à empresa.

Departamento de Justiça dos EUA (Imagem: Dallas County District Attorney's Office/Flickr)

Departamento de Justiça dos EUA (Imagem: Dallas County District Attorney’s Office/Flickr)

O Departamento de Justiça (DoJ) dos EUA explica que bloqueou esse valor em criptomoedas que pertencem a Marcos Antônio Fagundes, sócio da InDeal. Ele é acusado de gestão fraudulenta, apropriação indébita e lavagem de dinheiro.

A investigação da PF aponta que Fagundes e outros réus arrecadavam fundos de investidores prometendo altas taxas de retorno, como 15% em um mês, ao aplicar em criptomoedas.

No entanto, apenas uma pequena quantidade dos fundos foi realmente usada para adquirir criptoativos. Segundo a PF, os sócios da InDeal aplicavam parte do dinheiro em investimentos convencionais, como renda fixa (!); e gastavam o restante em imóveis, carros de luxo e pedras preciosas.

InDeal tinha 55 mil investidores

De acordo com a Receita Federal, uma das contas da InDeal recebeu mais de R$ 700 milhões entre agosto de 2018 e fevereiro de 2019. A empresa era sediada em Novo Hamburgo (RS), mas chegou a cerca de 55 mil investidores em 26 estados brasileiros. Ela não tinha autorização do Banco Central nem da CVM (Comissão de Valores Mobiliários).

O DoJ afirma estar trabalhando em estreita cooperação com as autoridades brasileiras, com o FBI e com o US Marshals Service (unidade de polícia federal dos EUA). As criptomoedas serão reservadas para confisco, a fim de restituir os investidores.

Felipe Ventura

Editor-geral

Felipe Ventura fez graduação em Economia pela FEA-USP, e trabalha com jornalismo desde 2009. Começou no TB em 2017 como editor de notícias, ajudando a cobrir os principais fatos de tecnologia, e hoje coordena um time de editores-assistentes e a rotina das editorias. Sua paixão pela comunicação começou em um estágio na editora Axel Springer na Alemanha. Foi repórter e editor-assistente no Gizmodo Brasil.

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