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Brasil pode entrar em acordo contra China e barrar 5G da Huawei

Secretário do Itamaraty afirma apoio do Brasil ao projeto Clean Network, que barra fornecedoras chinesas na construção de redes 5G

Lucas Braga
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A guerra comercial entre Estados Unidos e China pode afetar o 5G no Brasil: o secretário do Itamaraty para Negociações Bilaterais e Regionais nas Américas, Pedro Costa e Silva, afirmou apoio ao programa americano Clean Network (rede limpa), que proíbe o uso de equipamentos chineses nas torres de quinta geração. Essa restrição afeta diretamente a Huawei; Claro, Oi, TIM e Vivo defendem a permanência da empresa no Brasil.

Huawei na Mobile World Congress. (Imagem: Karlis Damnbrans/Flickr)

Huawei na Mobile World Congress. (Imagem: Karlis Dambrans/Flickr)

O apoio foi concedido em uma cerimônia com presença de Keith Krach, secretário de Crescimento Econômico, Energia e Meio Ambiente do Departamento de Estado dos EUA. O americano afirmou que o Brasil é o primeiro país da América Latina a respaldar os princípios do Clean Network.

No entanto, o assunto não parece estar 100% definido: o Teletime apurou que a manifestação de Pedro Costa e Silva não significa que o governo brasileiro já aderiu ao programa Clean Network, e que o Ministério das Comunicações ainda não se pronunciou sobre o caso.

O que é o programa Clean Network

De acordo com o Departamento de Estado dos EUA, o Clean Network é “um programa da administração Trump para proteger ativos norte-americanos (…) de invasões por atores malignos, como o Partido Comunista Chinês”.

O órgão ainda diz que a Huawei é um “braço de espionagem” do governo chinês. O programa possui outras linhas de banimento, como restrições de armazenamento de dados em serviços de nuvem de empresas chinesas, como Alibaba, Baidu, China Mobile, China Telecom e Tencent.

Operadoras brasileiras ignoram encontro com EUA

Na tentativa para garantir apoio ao projeto Clean Network, diplomatas dos Estados Unidos convidaram os presidentes da Claro, Oi, TIM e Vivo para um encontro na segunda-feira (9) com Keith Krach. No entanto, as operadoras recusaram o convite.

O Conexis, sindicato que representa as operadoras de telecomunicações, explicou ao Telesíntese que as empresas não podem participar da reunião por três razões:

  • o tema da discussão está sendo tratado pelo governo brasileiro e em fóruns públicos;
  • várias empresas são companhias de capital aberto, e têm compromisso de transparência com os acionistas e a sociedade;
  • os executivos têm evitado reuniões presenciais por conta da pandemia de COVID-19.

As operadoras brasileiras defendem a permanência da Huawei no Brasil e fizeram uma espécie de lobby em junho de 2020 para evitar sanções aos equipamentos da fabricante chinesa, que mantém contratos com Claro, Oi, TIM e Vivo.

Em entrevista à Folha, o presidente da Huawei no Brasil afirma que a fornecedora tem “algo entre 40% e 50%” de participação nos equipamentos de telecomunicações, e que a empresa atende mais de 40% dos pequenos provedores de internet. O executivo diz que uma possível restrição iria atrasar o desenvolvimento do 5G no país e aumentaria os custos de implementação das operadoras, que teriam que repassar o valor aos clientes.

Lucas Braga

Repórter especializado em telecom

Lucas Braga é analista de sistemas que flerta seriamente com o jornalismo de tecnologia. Com mais de 10 anos de experiência na cobertura de telecomunicações, lida com assuntos que envolvem as principais operadoras do Brasil e entidades regulatórias. Seu gosto por viagens o tornou especialista em acumular milhas aéreas.