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Empresas canadenses promovem mineração de bitcoin com energia sustentável

Duas empresas construirão instalação de mineração de bitcoin (BTC) alimentada somente por energia limpa em Alberta, Canadá

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A pauta ambiental na mineração de criptomoedas vem ganhando cada vez mais espaço. As empresas canadenses Neptune Digital Assets, especializada em tecnologia blockchain, e a Link Global Technologies, voltada à extração de moedas digitais, se juntaram para criar uma instalação que irá minerar bitcoin (BTC) utilizando somente energia sustentável. A iniciativa surge para demonstrar que a atividade não necessariamente precisa causar danos ao meio ambiente.

Mineração de bitcoin (imagem: Consulting 24/Flickr)

Mineração de bitcoin (Imagem: Consulting 24/Flickr)

Alternativa sustentável pode ser futuro do bitcoin

Diante desse problema, as duas empresas anunciaram nesta sexta-feira (19) que irão construir uma instalação de mineração de bitcoin completamente alimentada por energia limpa na região de Alberta, no Canadá.

O acordo definitivo ainda não foi assinado, mas a Neptune Digital Assets e a Link Global Technologies esperam dar início ao projeto em abril, imediatamente inciando a construção da planta. Pelo que foi revelado, cada empresa irá receber 50% da extração de bitcoin e também dividirão igualmente os custos e os gastos de operação.

A Link Global Technologies já possui outras instalações menores na região de Alberta. Entre elas, a maioria minera a criptomoeda com energia solar, eólica ou de gás natural. “Esperamos que haja uma pressão global substancial para desenvolver operações de mineração de bitcoin sustentáveis ​​em todo o mundo”, disse Cale Moodie, CEO da Neptune.

Essa iniciativa é importante para o mercado de criptomoedas e para os críticos do sistema financeiro digital e descentralizado. O bitcoin atingiu recentemente uma nova máxima histórica, superando os US$ 61 mil. Com isso, importantes figuras públicas e orgãos reguladores internacionais vem levantando preocupações com o consumo de energia da moeda digital.

O impacto ambiental da mineração de bitcoin

Uma das principais críticas ao bitcoin e ao seu sistema descentralizado é o enorme consumo de eletricidade para sustentá-lo. Sua rede blockchain registra permanentemente e criptografa todas as transações envolvendo a criptomoeda. Isso requer que inúmeras máquinas ao redor do mundo realizem numerosos processos para criar um livro contábil público e seguro que garante a integridade da moeda digital.

Aqueles que fornecem esse poder de processamento são recompensados com taxas cobradas a cada transação e com a criação de novas unidades de bitcoin. Para otimizar seus ganhos, indivíduos e instituições que se dedicam à mineração como uma verdadeira fonte de renda se instalam em lugares onde a energia é barata.

Segundo dados do Cambridge Bitcoin Electricity Consumption Index (CBECI), a China é responsável por 65% de toda a taxa de extração de bitcoin no mundo. Acontece que a vasta maioria de usinas elétricas no país são movidas a carvão e a outros combustíveis fósseis. Portanto, a mineração de bitcoin implica diretamente no alto consumo de energia poluente.

Bill Gates critica consumo de eletricidade da mineração

Bill Gates, fundador da Microsoft Imagem: Andy Thornley/Flickr)

Bill Gates, fundador da Microsoft Imagem: Andy Thornley/Flickr)

Até mesmo o fundador da Microsoft, Bill Gates, vem criticando o bitcoin. Em seu mais recente discurso sobre o assunto, ele afirmou que a criptomoeda gasta mais energia por transação do que “qualquer outro método conhecido pela humanidade”.

Segundo Gates, as constantes valorizações no preço do criptoativo também incentivam o crescimento da atividade de mineração. Como consequência, o bitcoin seria responsável pelo agravamento do aquecimento global.

Contudo, mesmo sendo historicamente um crítico da criptomoeda, Gates levantou a possibilidade de apoiar o bitcoin no futuro, se esses problemas ambientais fossem resolvidos. “Se for energia limpa e não estiver atrapalhando outros usos, eventualmente, talvez esteja tudo bem”, disse.

Com informações: CoinDesk