Facebook revela pulseiras de realidade aumentada que leem sinais neurais

Pulseira em desenvolvimento pelo Facebook utiliza eletromiografia para analisar os impulsos elétricos no pulso do usuário

André Fogaça
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O Facebook divulgou detalhes do andamento de um projeto interno do Facebook Reality Labs (FRL) Research, onde um ou duas pulseiras são utilizadas para ler sinais neurais do usuário e transformar essa informação em meio de interação com objetos em realidade aumentada. O dispositivo também adota inteligência artificial para aprimorar o entendimento de todo o sistema para os comandos emitidos pelo cérebro até as mãos.

Pulseira do Facebook leva movimentos para realidade aumentada (Imagem: divulgação/Facebook)

Pulseira do Facebook leva movimentos para realidade aumentada (Imagem: divulgação/Facebook)

O vídeo mostra o conceito, que me lembrou muito como o HoloLens da Microsoft utiliza as mãos do usuário para clicar, em forma de “beliscar” o ar. A diferença para a ideia do Facebook está na forma da captura do gesto, que no gadget da rede social é feita por leitura de impulsos nervosos, enquanto o óculos da gigante do software conta com câmeras e sensores com alguma semelhança ao Kinect.

“O que estamos tentando fazer com as interfaces neurais é permitir que você controle uma máquina de forma direta, utilizando o sistema nervoso periférico – especificamente os nervos fora do cérebro e que animam sua mão e os músculos dos dedos,” comenta Thomas Reardon, diretor de interfaces neuromotoras no Facebook Reality Labs (FRL) Research.

Facebook escolheu pulseira no lugar de joystick e voz

O Facebook escolheu a pulseira como meio de interagir com os objetos de realidade aumentada por não adicionar fricção que um controle oferece, ou então os problemas de privacidade e barulho de fundo percebidos com comandos de voz.

“O pulso é lugar tradicional para vestir um relógio, o que significa que ele pode se encaixar razoavelmente em contextos da vida cotidiana e social. É um local confortável para o uso durante todo o dia. Está localizado perto de instrumentos primários que você utiliza para interagir com o mundo: suas mãos,” diz o Facebook.

Pulseira do Facebook leva movimentos para realidade aumentada (Imagem: divulgação/Facebook)

Pulseira do Facebook leva movimentos para realidade aumentada (Imagem: divulgação/Facebook)

A pulseira utiliza a tecnologia chamada eletromiografia para monitorar a atividade elétrica dos músculos. Funciona assim: seu cérebro envia o comando de “tocar” e o músculo trabalha para o dedo ir até lá. É essa informação, na ponta, que é captada por este dispositivo em desenvolvimento. Os sensores utilizados no protótipo apresentado são sensíveis o suficiente para detectar a corrente enviada para mover o dedo do usuário por uma distância de um milímetro – detectando até a intenção do movimento, o que pode ser útil para pessoas amputadas.

Em outro vídeo, já com a demonstração prática da pulseira, o produto é capaz de identificar os movimentos de pinçar em todos os dedos. Ao menos, por enquanto, este é basicamente o único movimento detectado pelo sistema, entregando um clique para controlar algum objeto em ambiente virtual – como o arrastar de um arquivo, pasta ou foto.

O Facebook ainda afirma que é possível perceber a corrente elétrica trafegando até o dedo em qualquer posição e local, desde que o usuário esteja com a pulseira. Em outras palavras, você pode enviar um comando para o computador com a mão na sua frente, de lado ou até mesmo dentro do bolso, escondida.

Em um momento futuro, o projeto do Facebook prevê até mesmo identificar os toques em um teclado virtual, enquanto os dedos batem em uma superfície dura como a de uma mesa. Neste exemplo, o projeto também afirma que o espaço pode ser adaptado ao usuário ou a velocidade necessária para alcançar as teclas. Seria algo como a barra de espaço mover mais para um dos lados, onde o sistema detecta que você a busca com mais frequência.

Ainda não existe qualquer previsão de lançamento para uma pulseira ou smartwatch com estes sensores, mas o Facebook deixa claro que seu projeto não capta as ondas cerebrais como está trabalhando Elon Musk. Mesmo assim, é possível prever que somente os comandos para as mãos já significa muita informação, como saber se a pessoa está nervosa, tensa ou relaxada – após ver um anúncio, quem sabe.

Com informações: Facebook.

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