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Nigéria baniu Twitter no país após tweet do presidente ser removido

Post foi removido por comportamento abusivo; Justiça da Nigéria vai processar quem usar VPNs para acessar Twitter

Pedro Knoth

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O Twitter foi suspenso indefinidamente na Nigéria depois de remover um tweet do presidente Muhammadu Buhari na semana passada. No post, ele fez ameaças a um grupo de secessionistas no sul do país, o que foi considerado uma violação das regras contra comportamento abusivo. A Justiça prometeu processar qualquer um que tente evitar o bloqueio da plataforma por meio de VPNs.

Twitter é banido na Nigéria (Imagem: Jeremy Zero/Unsplash)

Twitter é banido na Nigéria (Imagem: Jeremy Zero/Unsplash)

Justiça quer processar quem furar bloqueio do Twitter

O ministério de Cultura e Comunicação nigeriano usou sua própria conta no Twitter na sexta-feira (4) para divulgar o bloqueio indefinido ao app. O órgão federal alegou que o motivo pela suspensão se deve ao “persistente uso da plataforma para atividades que potencialmente ameaçam a capacidade operacional da Nigéria”.

O gabinete da promotoria geral da país também ameaçou tomar medidas legais contra qualquer um que furasse o bloqueio; agências governamentais estão cooperando para “assegurar a punição rápida de infratores, sem delongas”. Os usuários nigerianos estavam contornando a suspensão do Twitter pelo uso de VPNs.

Presidente da Nigéria usou Twitter para fazer ameaças

Muhammadu Buhari usou o Twitter na quarta-feira (2) da semana passada para acusar um movimento separatista de atacar prédios do governo. Esses secessionistas defendem a restauração de uma nação na região de Biafra. Na década de 80, essa disputa resultou em uma guerra civil que deixou mais de 1 milhão de mortos. O atual presidente da Nigéria era um dos generais de alto-escalão do governo na época e lutou contra os separatistas.

“Muitos daqueles que não se comportam são muito novos para terem noção da destruição e perda de vidas que ocorreu durante a Guerra da Biafra. Aqueles de nós que estivemos no campo por 30 meses, que passaram pela guerra, vão tratá-los [secessionistas] em uma língua que eles entendem bem”, escreveu Buhari.

O presidente da Nigéria Muhammadu Buhari (Imagem: European Union 2016 - European Parliament/Flickr)

O presidente da Nigéria Muhammadu Buhari (Imagem: European Union 2016 – European Parliament/Flickr)

A equipe de Políticas Públicas do Twitter disse em um tweet no sábado que estava “muito preocupada” com o bloqueio da rede na Nigéria e que estava trabalhando para restaurá-lo. Um teste feito pela Reuters mostrou que a plataforma foi banida para algumas operadoras de celular, mas que ainda era possível acessar o app e a versão desktop em provedores de rede em Lagos e Abuja, duas das principais cidades do país.

O bloqueio vem meses depois de o Twitter abrir sua primeira sede na África, no país vizinho de Gana. A rede social diz que sua decisão foi influenciada pela postura positiva do governo ganense em relação à liberdade de expressão. Isso enfureceu o ministério das comunicações da Nigéria, que acusou a plataforma de ser negativamente influenciada pela mídia local.

Twitter também pode sofrer retaliação na Índia

A represália ao Twitter não se manteve apenas na Nigéria. Também na semana passada, a Índia – que tem confrontado big techs americanas sobre sua postura com usuários indianos – disse que a rede social poderia sofrer “consequências não intencionais” caso não se adapte à nova política de plataformas do país. A empresa tem desagradado o governo: ao classificar uma postagem de um aliado como “mídia manipulada”, a sede da empresa foi alvo de busca da polícia indiana, no dia 24 de maio.

A nova lei indiana aprovada em maio determina que plataformas como Twitter, Facebook e WhatsApp devem remover conteúdo no prazo de 36 horas mediante ordem judicial. Ela também prevê que cada rede tenha um contato disponível 24 horas para atender polícias e agências de segurança.

A mensagem é clara na carta do ministério das tecnologia da Índia enviada no sábado (5): o Twitter ainda não atende aos requerimentos da nova lei e pode ser punido legalmente por qualquer conteúdo em sua plataforma. A rede social não comentou sobre a carta.

Com informações: CNET, The Verge.