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Criadores de Star Trek fazem NFT e o armazenam… no DNA de uma bactéria?!

É difícil de acreditar, mas a Roddenberry Entertainment, dona dos direitos da franquia Star Trek, criou o primeiro "Eco-NFT" e o inseriu no DNA de uma bactéria viva

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A assinatura do primeiro contrato de financiamento da popular série de ficção científica Star Trek se tornou um NFT nesta semana. Até aí tudo bem, nenhuma grande novidade. No entanto, parece que a Roddenberry Entertainment, dona dos direitos da franquia, quis trazer a ficção científica para a realidade ao codificar o ativo digital e inseri-lo no DNA de uma bactéria.

Série clássica de Star Trek (Imagem: Reprodução/ Roddenberry Entertainment)
Série clássica de Star Trek (Imagem: Reprodução/ Roddenberry Entertainment)

Sim, é isso mesmo. A empresa de Gene Roddenberry, criador do Star Trek, realmente foi onde nenhum NFT jamais esteve. O token em questão é a assinatura do contrato da companhia com a Desilu Productions de Lucille Ball, feito em 1965, o primeiro documento para o financiamento da série clássica.

Esse ativo digital foi então codificado e implantado no código de DNA de uma célula viva de bactéria. Os detalhes científicos do feito pouco importam aqui, o que realmente merece nossa atenção é a criação do primeiro “Eco-NFT” vivo. Uma “verdadeira intersecção da ciência com a ficção científica”, segundo a Roddenberry Entertainment.

Após 30 anos da morte de Gene Roddenberry, uma parte da sua história seria imortalizada tanto no blockchain da Solana quanto no DNA de uma bactéria, que rapidamente se multiplica, reproduzindo novamente o código do token. “Enquanto a bactéria permanecer viva, a célula pode se duplicar a uma taxa que cria mais de um bilhão de cópias do Eco-NFT da noite para o dia”, diz a empresa em comunicado.

Ilustração representando bactérias (Imagem: CDC/ Unsplash)
Ilustração representando bactérias (Imagem: CDC/ Unsplash)

“O armazenamento de informações no DNA representa uma nova gama de possibilidades quando se trata de arquivamento de dados. Ele fornece armazenamento sustentável e ecologicamente correto com capacidades exponencialmente maiores do que qualquer coisa que o mercado tem a oferecer atualmente, como evidenciado pelas bilhões de cópias de nosso Eco-NFT em uma quantidade tão pequena de bactérias.”

Agustín Fernández, CEO da Rational Vaccines e colaborador do projeto em comunicado.

O doutor Paul Predki foi o responsável por codificar os dados digitais do NFT em uma sequência de DNA e, em seguida, armazenar esse DNA em uma célula bacteriana naturalmente auto-replicante.

NFT representa aplicação inédita da biotenologia

A Roddenberry Entertainment, juntamente a seus parceiros de biotecnologia e à Solana Labs, apresentará o chamado “Living Eco-NFT” em Miami, durante o grande evento Art Basel de 2021. Até o momento, nenhuma venda foi anunciada.

Ao que tudo indica, esse NFT é muito mais um experimento sem precedentes e uma grande jogada de marketing do que efetivamente um produto comercial. Além disso, ele é considerado até mesmo uma peça de arte digital muito diferente de tudo que já vimos, carregada de conceitos e técnicas.

Na prática, será que essa aplicação experimental de armazenamento de dados em células vivas poderia representar mais um grande passo para a tecnologia? Ou será que estamos falando de inovação pela inovação, sem algum sentido real para ela?