Twitter Brasil libera ferramenta para denunciar fake news após críticas

Após sofrer pressão da Justiça e dos próprios usuários, Twitter decide implementar no Brasil botão para denunciar conteúdos enganosos sobre pandemia de COVID-19

Pedro Knoth
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O Twitter começou a testar no Brasil o recurso de denunciar posts como “conteúdo enganoso”, incluindo desinformação sobre a COVID-19. A ação chega após a pressão de usuários e do Ministério Público Federal (MPF) para que a rede social reforçasse as medidas contra fake news no país. Na primeira semana deste ano, a rede social foi alvo de críticas ao verificar um perfil que espalhou informações falsas sobre vacinação e isolamento.

Tela de abertura do Twitter no celular.
Tela de abertura do Twitter no celular (Imagem: Joshua Hoehne/Unsplash)

Recurso do Twitter chega ao Brasil depois de 6 meses

A partir desta segunda-feira (17), usuários brasileiros podem denunciar tuítes como sendo “enganosos”, de acordo com seu conteúdo, diz o Twitter. Além do Brasil, a nova opção de denúncia também chega à Espanha e às Filipinas.

O Twitter Brasil vem lidando com críticas dentro da própria rede social. Segundo usuários que levantaram a #TwitterApoiaFakeNews, a plataforma não vem tomando posturas adequadas para banir contas e conteúdos que infringem sua própria política de desinformação sobre a COVID-19.

Em 17 agosto de 2021, a rede social anunciou o botão de denuncia por conteúdo considerado enganoso para países como EUA, Coreia do Sul e Australia. Mas até hoje não havia uma estimativa de quando esse recurso chegaria ao Brasil.

Além disso, o Twitter atraiu críticas por verificar um perfil que espalhou desinformação sobre a pandemia e o sistema eleitoral brasileiro. Bárbara Destefani, do canal Te Atualizei, recebeu o selo azul do Twitter no início do ano, mesmo sendo alvo de investigações do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) e do STF (Supremo Tribunal Federal) por disseminar fake news.

Twitter sofre pressão da Justiça

A ausência do botão de denúncias e a verificação de Destefani levaram o MPF a enviar um ofício ao Twitter. Conforme o documento, a plataforma foi exigida a explicar o processo por trás da distribuição do selo azul da plataforma — e se era levada em conta um critério de divulgação de fake news sobre saúde pública.

Sob pressão da Justiça e de usuários, o Twitter Brasil divulgou um post em seu próprio perfil na rede social de 280 caracteres. A plataforma afirmou que não derruba todo post questionável sobre a pandemia, e sim conteúdos que aumentem o risco de mais pessoas contraírem e disseminarem a doença.

Sobre o processo de verificação, o Twitter Brasil disse que ele está sujeito a “aprendizado e revisões, dado que é recente e está sujeito a imprecisões e equívocos.”

Foi revelado que, durante o governo Bolsonaro, o Twitter Brasil recebeu mais de R$ 4 milhões para veiculação de propagandas políticas favoráveis ao governo e seus programas sociais.

Segundo dados do Portal da Transparência, o órgão que mais gastou com publicidade no Twitter foi o Ministério da Saúde, que empenhou R$ 772,4 mil desde 2019, ou 39% do total. Em seguida, vem a Secom (Secretaria Especial de Comunicação Social), com R$ 546,3 mil — cerca de 28%.

Somente em 2021, o Twitter gastou R$ 2,7 milhões com publicidade por meio de agências de propaganda, que emitiram notas fiscais à Secom.

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