Activision: acordo milionário com CEO teria facilitado venda para Microsoft

O atual CEO da Activision Blizzard, Bobby Kotick, teria aceitado vender a empresa ao saber que poderia receber US$ 700 milhões, após fusão com Microsoft

Murilo Tunholi
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Há ainda muitos mistérios envolvendo o real motivo da aquisição da Activision Blizzard pela Microsoft. Não havia indícios de que essa fusão iria ocorrer por agora, principalmente em meio a tantos escândalos de assédio. Porém, um fator pode ter sido decisivo para esse acordo acontecer: os quase US$ 700 milhões que o polêmico CEO Bobby Kotick deve receber, se deixar o cargo de presidente.

Bobby Kotick, atual CEO da Activision Blizzard (Imagem: Bobby Kotick/Flickr)

Kotick é uma figura central nos problemas da Activision Blizzard. Segundo investigações do Wall Street Journal (WSJ), o atual CEO da empresa sabia dos relatos de assédio, mas acobertava os funcionários citados nas denúncias, em especial pessoas em cargos de liderança e executivos de alto escalão.

Essas informações sobre Kotick foram divulgadas em novembro do ano passado, mesma época em que começaram as conversas sobre a fusão entre Activision Blizzard e Microsoft, de acordo com reportagens do WSJ e da Bloomberg. Os jornais ainda sugerem que a negociação foi concluída rapidamente, em menos de dois meses.

Phil Spencer teria sugerido fusão em papo com Kotick

É aí que surge a grande dúvida: como a Microsoft comprou uma das maiores publicadoras do mundo por US$ 69 bilhões tão depressa? Uma fonte próxima às duas empresas contou à Bloomberg que, inicialmente, o CEO da Microsoft Gaming, Phil Spencer, havia procurado Kotick para oferecer suporte e resolver “questões sobre o tratamento das mulheres na Activision”.

Contudo, na conversa entre os executivos, Spencer teria falado que “se Kotick e o conselho estivessem dispostos a vender a empresa, a Microsoft estaria bem posicionada para fazer uma oferta”. Nessa época, entre 1º de novembro e 1º de dezembro as ações da Activision Blizzard estavam em queda vertiginosa, chegando a cair quase 27%.

Ações da Activision Blizzard nos últimos seis meses (Imagem: Reprodução/Google)

O preço reduzido das ações da Activision Blizzard unido à imagem negativa de Kotick no mercado teria influenciado a decisão da Microsoft. Após receber a oferta de Spencer, Kotick ainda teria procurado outros possíveis compradores, como a Meta — dona do Facebook. Contudo, nem a Meta, nem nenhuma outra big tech fora a Microsoft havia se interessado pelo negócio.

Kotick pode sair com US$ 700 milhões após fusão

Outro fator importante que pode ter facilitado a venda é o dinheiro que Kotick deve receber, caso deixe o cargo de CEO. Já está confirmado que, quando o acordo for concluído, em junho de 2023, todos os funcionários da Activision Blizzard irão passar a responder a Phil Spencer. Portanto, não há necessidade de ter outro presidente no comando, principalmente um envolvido em escândalos de assédio.

Segundo o WSJ, Kotick aceitou vender a Activision Blizzard após a Microsoft oferecer uma “saída graciosa” a ele. Em outras palavras, o atual CEO viu que iria ganhar não só uma multa rescisória de US$ 292 milhões, como também receberia um prêmio de US$ 400 milhões, referente à quantia de US$ 69 bilhões paga por Spencer no acordo.

Ou seja, Kotick pode sair com US$ 700 milhões no bolso em 2023, dependendo de como a fusão entre as empresas for afetar o contrato do CEO. Apesar de todas as informações, representantes da Activision Blizzard afirmaram ao WSJ que “o acordo não tem nada a ver com a controvérsia em torno da Activision ou de pedidos de renúncias”.

Com informações: Ars Technica.

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