Brasil é último no ranking de países preparados para táxi aéreo

Brasil teve a pior pontuação entre outros 24 colocados em critérios de preparação para incorporar tecnologia do táxi aéreo; Embraer é referência mundial no setor

Pedro Knoth
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Uma pesquisa concluiu que o Brasil é o país menos preparado entre outros 24 para implementar o táxi aéreo. O estudo, realizado pela consultoria KPMG, determinou que a população, leis e política brasileira não estão prontas para adotar a tecnologia, o que levou o Brasil a ficar em uma posição inferior à da Arábia Saudita e da Rússia. É um contraste direto com a Embraer, referência mundial e possui encomendas de veículos de pouso e decolagem vertical (VTOL) movidos à energia elétrica.

Protótipo do táxi voador da Embraer desenvolvido no Brasil (Imagem: Reprodução/Embraer)
Protótipo do táxi voador da Embraer desenvolvido no Brasil (Imagem: Reprodução/Embraer)

A pesquisa da KPMG avaliou cenários de 25 países em preparação para receber os táxis aéreos. A avaliação consiste em quatro pilares considerados essenciais ao processo: aceitação do consumidor; infraestrutura; política e legislação; tecnologia e inovação. Esses quatro critérios estão divididos em sub-itens cuja pontuação máxima é 1. A quantidade total de pontos a ser obtida no estudo é 34.

Política e legislação do Brasil afundam pontuação

O Brasil ficou em último lugar da lista com 8,78 pontos, atrás de países como Índia, Polônia, Rússia e Arábia Saudita. Os Estados Unidos são, segundo o índice, a nação mais preparada para implementar a tecnologia do táxi aéreo, com pontuação de 26,11. Em segundo lugar está a Singapura (21,88), seguida de Holanda (21,78), Reino Unido (20,41) e Austrália (20,13).

Ao destacar o primeiro pilar, de aceitação do consumidor, o Brasil tem a população menos disposta a aceitar o táxi aéreo. O país pontuou 0,0 em três categorias: habilidades digitais; uso de tecnologias VTOL entre civis; e capacidade de inovação de mercado. Por outro lado, o volume de tráfego aéreo per capta pontuou 0,93, perto do valor máximo.

Em legislação e política, o país também é o pior da lista. O Brasil deixou de pontuar em dois sub-itens: preparação do governo federal para mudança; e futura orientação do governo. O que levantou a média de pontos obtida nesse pilar foi a regulamentação de drones, na qual o Brasil obteve o mesmo número de pontos que os EUA — 0,71.

Quando se trata de infraestrutura para aceitar os táxis aéreos, o Brasil supera em pontos a Irlanda, a Rússia e a Espanha. Já no quesito de tecnologia e inovação, o país tem a segunda pior pontuação, à frente apenas da Índia.

“Os táxis aéreos vão revolucionar a mobilidade urbana, mas alguns países estão mais prontos do que outros para isso”, explica Márcio Peppe, sócio-líder de Aviação da KPMG no Brasil. O executivo complementou:

“Um dos principais desafios das empresas de aviação atualmente está na adequação às tendências que podem moldar a próxima década. Tecnologias como Inteligência Artificial, big data, Internet das Coisas, propulsão elétrica, além de fatores como combustíveis sintéticos e de hidrogênio, devem transformar para sempre as operações e os negócios nesse setor.”

Embraer é referência mundial em táxis aéreos

O mercado de táxis aéreos deve se expandir nas próximas décadas, à medida em que os principais centros urbanos do mundo procuram alternativas ecológicas e eficientes ao trânsito do dia a dia. O banco Morgan Stanley avalia que o setor de VTOLs deve movimentar US$ 1 trilhão — algo como R$ 5,6 trilhões — até 2040.

A KPMG comenta na pesquisa que o ramo vem de um momento de “corrida do ouro” por parte investidores. Muitas empresas esperam introduzir os primeiros modelos de táxi aéreo nos próximos três anos.

Modelo de táxi aéreo da Halo (Imagem: Embraer/Divulgação)
Modelo de táxi aéreo a ser produzido pela Embraer para a Halo (Imagem: Embraer/Divulgação)

A Embraer possui seu próprio modelo de VTOL movido a energia elétrica a partir da Eve Mobility Air Solutions, braço da empresa brasileira. A startup já tem pelo menos três acordos para fornecer aeronaves à Halo, que opera nos EUA e no Reino Unido, e à Helisul, do Brasil.

A Eve conseguiu mais uma parceria em dezembro: uma encomenda de 60 eVTOLs para a australiana Sydney Seaplanes.

Apesar da Embraer ser uma das referências do mercado mundial para produção de táxis aéreos, a KMPG adverte que investir no mercado brasileiro só terá retorno financeiro a longo prazo. “O investidor deve olhar com cautela e apreensão à preparação de mercados alvo, e não pensar apenas em seu tamanho” diz a consultoria.

Pedro Knoth

Ex-autor

Pedro Knoth é jornalista e cursa pós-graduação em jornalismo investigativo pelo IDP, de Brasília. Foi autor no Tecnoblog cobrindo assuntos relacionados à legislação, empresas de tecnologia, dados e finanças entre 2021 e 2022. É usuário ávido de iPhone e Mac, e também estuda Python.

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