Elon Musk quer ajudar Tonga com internet da Starlink após tsunami

Bilionário e dono da SpaceX quer enviar terminais de internet via satélite da Starlink depois de erupção destruir cabo submarino

Pedro Knoth
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O bilionário Elon Musk, fundador e CEO da Tesla e da SpaceX, quer ajudar a minimizar o impacto causado pela erupção de um vulcão, seguido de um tsunami, no arquipélago de Tonga, localizado próximo à Nova Zelândia, no sul do Pacífico. O desastre natural danificou o único cabo submarino que leva rede ao conjunto de ilhas, e Musk se propôs a ajudar enviando terminais da Starlink, subsidiária de internet via satélite.

Antena para base terrestre da Starlink é homologada na Anatel (Imagem: darkpenguin22/Reddit)
Musk quer instalar terminais terrestres da Starlink em Tonga (Imagem: darkpenguin22/Reddit)

“As pessoas de Tonga poderiam nos avisar se é importante que a SpaceX envie terminais da Starlink até eles?”, Musk perguntou no Twitter. A Tonga Cable Ltda., empresa que é dona do cabo submarino que transmite sinal de rede ao país, disse à Reuters que vai demorar pelo menos um mês para consertá-lo.

Antes de Elon Musk se oferecer para ajudar Tonga, o líder parlamentar da oposição na Nova Zelândia, Shane Reti, escreveu uma carta ao bilionário pedindo que a Starlink entrasse em ação para reestabelecer a internet no arquipélago. Reti escreveu o seguinte:

“Veio à minha atenção que a cataclísmica erupção vulcânica debaixo do mar quebrou o cabo submarino de telecomunicação que fornece rede para Tonga. Eu estou pedindo respeitosamente para que você entregue urgentemente algum sinal de internet da Starlink para os funcionários da administração pública, para o bem das pessoas em Tonga, neste momento de necessidade.”

Musk chegou a ver a carta de Reti. Contudo, o bilionário disse que a demanda do parlamentar era difícil de cumprir, já que a SpaceX “não tem satélites suficientes com transmissão a laser, enquanto há mais satélites geoestacionários que provém sinal à região de Tonga”. É por isso que Musk pediu a confirmação de algum porta-voz do governo do país. Com os terminais, ficaria mais fácil de captar o sinal da Starlink.

Caso seja possível levar os equipamentos, o sinal da Starlink facilitaria a busca por ajuda e recursos internacionais — algo que a pandemia dificultou ainda mais.

As ligações telefônicas internacionais já foram reativadas na região pela operadora Digicel, mas equipes de reportagem não têm tido sucesso em fazer chamadas ao exterior.

Desastre reforça fragilidade dos cabos submarinos

Os satélites da Starlink, de Elon Musk, foram projetados para entrar em ação justamente em regiões onde o sinal é inconstante, devido à falta de cobertura de operadoras de banda larga. O bilionário prometeu que a versão beta do serviço de internet via satélite terminaria em outubro, mas não houve um pronunciamento oficial a respeito, pelo menos por enquanto.

O desastre natural de Tonga reforça também a fragilidade do sistema de cabos submarinos implementado globalmente para fornecer internet.

O cabo que fornece sinal ao conjunto de ilhas foi instalado em 2018, em obra que custou US$ 34 milhões, financiada pelo Banco Mundial com o Banco de Desenvolvimento Asiático. Mas ele é a única estrutura do tipo em Tonga.

O presidente da Tonga Cable contou porque pode ser difícil consertar o cabo em até um mês:

“O cabo está, na verdade, ao redor da área do vulcão. Nós não sabemos… Se ele está sequer intacto, ou se foi explodido com a erupção. A estrutura pode estar presa debaixo d’água, mas não sabemos se está enterrada mais fundo ainda no mar.”

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