O problema dos NFTs criados de graça: quase todos são plágio ou spam

Maior marketplace de NFTs do mundo, a Open Sea, reconhece que 80% dos tokens criados gratuitamente através de sua ferramenta são plágio, fraude ou spam

Bruno Ignacio
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A Open Sea, o maior marketplace de NFTs do mundo, alertou usuários sobre a quantidade de fraudes, spam e plágios foram feitos a partir de sua ferramenta de criação de tokens não fungíveis gratuitos. De acordo com a plataforma, mais de 80% dos NFTs criados com o recurso se encaixavam neste cenário controverso. O anúncio foi feito para justificar algumas mudanças nas políticas da Open Sea, incluindo um novo limite para a criação de coleções.

Tokens não fungíveis, ou NFTs (Imagem: Marco Verch/Flickr)
Tokens não fungíveis, ou NFTs (Imagem: Marco Verch/Flickr)

Open Sea permite criar NFTs gratuitamente

A função foi lançada ainda em 2020, usando da técnica “lazy minting” para permitir a criação, ou “mintagem”, de tokens gratuitamente na plataforma. Isso é particularmente importante para criadores de NFTs, que geralmente precisam pagar uma taxa padrão da rede blockchain na qual estão registrando o token.

Conhecida como “gas fee”, essa taxa pode ser extremamente cara em blockchain populares, como o Ethereum, podendo chegar a centenas de dólares dependendo da época, demanda da rede, disponibilidade de mineradores e outros fatores.

Na Open Sea, é possível criar o token sem ter que pagar imediatamente todas as taxas, que são então cobradas em diferentes momentos, como quando se lista um desses ativos para a venda, por exemplo. No entanto, a plataforma disse em comunicado que identificou recentemente o uso indevido desse recurso “aumentar exponencialmente”.

Plataforma reconhece problema de plágio de NFTs

Para lidar com o problema, a Open Sea anunciou que iria limitar a quantidade de tokens gratuitos em até cinco coleções com 50 NFTs por usuário. Claro, a decisão não foi bem recebida por sua comunidade. Diversos usuários já estão reclamando que não conseguiram concluir suas coleções ou fazer upload de novos trabalhos, levando a plataforma a reverter o limite e pedir desculpas a seus usuários no mesmo dia.

“Toda decisão que tomamos, fazemos com nossos criadores em mente. Originalmente, construímos nosso contrato de vitrine compartilhada para facilitar a integração dos criadores no espaço”, disse a Open Sea em sua conta oficial no Twitter.

“Nós não tomamos essa decisão levianamente. Fizemos a alteração para abordar o feedback que recebíamos de toda a nossa comunidade. No entanto, deveríamos ter verificado isso com vocês antes de aplicá-la.”

No entanto, o mais interessante nessa narrativa é a grande revelação (desta vez com alguns dados mais concretos) que existe um crescente problema envolvendo plágio, fraudes e spam de NFTs.

Por exemplo, golpistas e bots têm como alvo inúmeros criadores legítimos, como artistas digitais reconhecidos e fotógrafos, roubando suas obras de arte e as vendendo em marketplaces como do próprio Open Sea. De acordo com dados da PetaPixel, alguns criadores reclamaram que a plataforma está lenta demais para processar solicitações de remoção e oferece um suporte ruim às vítimas de roubo e fraude.

Diante de tudo isso, o projeto afirmou na semana passada estar trabalhando em várias novas soluções para apoiar seus criadores e impedir que pessoas mal-intencionadas abusassem de sua ferramenta gratuita. “Nos comprometemos a checar essas mudanças com vocês antes de lançá-las”, disse a Open Sea no Twitter.

Com informações: Gizmodo

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