Grupo vende fotos de pessoas negras como “NFTs de escravos” e é criticado

"Meta Slave NFTs" é uma coleção de tokens não fungíveis acusada de racismo; criadores dizem honrar o fim da escravidão vendendo milhares de fotos de pessoas negras

Bruno Ignacio
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Polêmica no mundo dos NFTs. Essa frase já não parece mais novidade. No entanto, uma certa coleção de tokens não fungíveis realmente conseguiu gerar um tremendo alvoroço nas redes sociais, com diversas acusações de racismo por parte dos criadores. Chamado “Meta Slave”, o projeto de ativos digitais visa “honrar a abolição da escravidão”… vendendo fotos de pessoas negras.

Coleção de NFTs Meta Slaves vende fotos de negros e é acusada de racismo (Imagem: Reprodução/Open Sea)
Coleção de NFTs Meta Slave vende fotos de negros e é acusada de racismo (Imagem: Reprodução/Open Sea)

A coleção foi anunciada no dia 25 de janeiro e contaria com 1.865 NFTs, cada um chamado “Meta Slave”, seguido de um número. A quantidade de tokens seria uma referência à data da abolição da escravidão nos Estados Unidos, em 1850. 

https://twitter.com/MetaSlaveNFT/status/1486051607347408899

Meta Slave é acusada de racismo

Do suprimento total de ativos digitais, disponibilizados na Open Sea, maior plataforma e marketplace de NFTs do mundo, 971 tokens chegaram a ser lançados e colocados a venda por 0,1 ETH, ou aproximadamente US$ 280 pela cotação do ether no momento de publicação desta matéria.

O primeiro NFT, “Meta Slave #1 “I can’t breathe”, traz uma imagem de George Floyd, homem negro vítima da brutalidade e racismo policial nos Estados Unidos. Algumas imagens estão listadas por preços mais altos que a média. Essa de George Floyd custa 25,04 ETH, o equivalente a US$ 69 mil.

Por mais que os criadores do projeto expliquem, com argumentos frágeis e desconexos, que a coleção de tokens foi criada para honrar o fim da escravidão, a repercussão dos Meta Slave NFTs nas redes sociais foi esmagadoramente negativa.

Afinal, o projeto literalmente vende imagens de pessoas negras sob um título que contém “Slave” (escravo). Claro, houve tentativas de consertar o tal “mal-entendido” por parte dos criadores. Eles argumentaram que a coleção como um todo possui um foco mais generalista e que também representa que “todos somos escravos de alguma coisa”.

Criadores se desculpam e incluem imagens de brancos

“Com este projeto, queremos mostrar a todos que nunca esqueceremos as vítimas e o sofrimento de nossos ancestrais, devemos relembrar a história para que isso não aconteça novamente… Este projeto foi inspirado pelo Black Lives Matter e também em homenagem a George Floyd.”

Projeto Meta Slave no Twitter


Imediatamente após o início da controvérsia, os criadores por trás dos NFTs tentaram recuar. A imagem do banner do Meta Slave foi alterada de um mosaico de rostos pretos para rostos brancos e asiáticos. Além disso, a foto de perfil do projeto no Twitter agora é uma mulher branca. A página da coleção na Open Sea já está fora do ar. Aparentemente, nenhum token foi vendido até então.

https://twitter.com/MetaSlaveNFT/status/1488590324306006024

No Twitter, os desenvolvedores dos NFTs considerados racistas afirmaram que “haverá outras coleções no futuro: branca, asiática, etc”. Outro post pediu desculpas “a quem se ofendeu”.

Com informações: Stealth Optional

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