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Bolsonaro vazou dados da PF que podem ajudar hackers e milícias contra TSE

De acordo com Luís Roberto Barroso, presidente do TSE, Bolsonaro vazou dados que podem auxiliar hackers e milícias digitais em ataques ao órgão

Emerson Alecrim

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Na terça-feira (1º), o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) promoveu uma cerimônia virtual para formalizar a abertura dos trabalhos da corte para 2022. O evento foi marcado por uma declaração taxativa do ministro e presidente do tribunal, Luís Roberto Barroso: a de que o presidente Jair Bolsonaro vazou dados sigilosos que “auxiliam milícias digitais e hackers de todo o mundo”.

Cerimônia virtual de abertura dos trabalhos do TSE (imagem: reprodução/YouTube)
Cerimônia virtual de abertura dos trabalhos do TSE (imagem: reprodução/YouTube)

Os tais dados dizem respeito ao sistema eleitoral brasileiro. De acordo com o ministro, as informações divulgadas por Bolsonaro em redes sociais foram fornecidas à Polícia Federal para auxiliar uma investigação. O ministro dá a entender que, quando expostas, essas informações podem facilitar ataques cibernéticos.

O presidente da República vazou a estrutura interna da TI do Tribunal Superior Eleitoral. Tivemos que tomar uma série de providências de reforço da segurança cibernética dos nossos sistemas para nos proteger. Faltam adjetivos para qualificar a atitude deliberada de facilitar a exposição do processo eleitoral brasileiro para ataques criminosos.

Luís Roberto Barroso, presidente do TSE

Barroso se refere a um inquérito instaurado pela Polícia Federal para apurar um ataque hacker contra os sistemas do TSE que teria ocorrido em 2018.

O conteúdo da investigação, apesar de sigiloso, foi divulgado na redes sociais por Bolsonaro em agosto do ano passado no que aparentava ser um esforço do presidente de reforçar a tese, sem fundamento, de que houve fraude nas eleições de 2018.

Na época, o TSE declarou que o incidente em 2018 não colocou em risco o processo eleitoral e apresentou uma denúncia-crime contra Bolsonaro pela divulgação dos dados. A denúncia foi aceita por Alexandre de Moraes, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF).

Por determinação de Moraes, Bolsonaro deveria ter prestado um depoimento referente ao inquérito na última sexta-feira (28), mas o presidente não compareceu. Apesar disso, a Polícia Federal concluiu que houve crime de vazamento de dados. Jair Bolsonaro não chegou a ser indicado, no entanto, sob a justificativa de que o presidente tem foro privilegiado.

Jair Bolsonaro (imagem: Marcelo Camargo/Agência Brasil)
Jair Bolsonaro (imagem: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

Barroso voltou a defender as urnas eletrônicas

A declaração de Barroso sobre Bolsonaro foi dada no momento em que o ministro comentava sobre a segurança das urnas eletrônicas, aspecto que voltou a ser defendido por ele:

Sempre lembrando: a maior segurança das urnas eletrônicas brasileiras é que elas nunca entram em rede, portanto, nenhum vazamento permite que se comprometa o resultado das nossas eleições.

Luís Roberto Barroso, presidente do TSE

O Palácio do Planalto foi procurado pela imprensa, mas não comentou o assunto.

Com informações: g1.