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Lavagem de dinheiro em NFT é menor do que você imagina – mas vai aumentar

Relatório da Chainalysis aponta que criminosos lucraram US$ 8,9 milhões vendendo NFTs (tokens não fungíveis) para si mesmos

Bruno Ignacio

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Desde que o termo “NFT” se popularizou no mundo todo, muita gente já começou a relacionar a tecnologia diretamente com a lavagem de dinheiro. Realmente, criminosos podem fazer uso de tokens não fungíveis, assim como obras de arte físicas, para lavar recursos obtidos através de atividades ilícitas. No entanto, a Chainalysis apontou nesta última quarta-feira (2) que essa atividade criminosa é ainda pequena, mas está crescendo.

Tokens não fungíveis, ou NFTs (Imagem: Marco Verch/Flickr)
Tokens não fungíveis, ou NFTs (Imagem: Marco Verch/Flickr)

A empresa especializada em segurança digital e blockchain publicou um relatório nesta semana e encontrou uma pequena, mas crescente parte da atividade nos marketplaces de NFTs que pode ser atribuída à lavagem de dinheiro.

O estudo agregou dados ao rastrear transações enviadas às plataformas de negociação de NFTs a partir de endereços de carteiras de criptomoedas conhecidos por estarem associadas a fraudes, roubos, malware e até mesmo sob sanções legais. Através desse método, o valor rastreado foi pequeno no quarto trimestre de 2021, cerca de US$ 1,4 milhão. No entanto, o número parece estar crescendo desde o início do ano.

“Toda essa atividade representa um grão de areia em comparação aos US$ 8,6 bilhões em lavagem de dinheiro realizada com criptomoedas que rastreamos em todo o ano de 2021”, escrevem os autores do relatório.

“No entanto, a lavagem de dinheiro e particularmente as transferências de empresas de criptomoedas sancionadas representam um grande risco para a confiança nos NFTs, devendo ser monitoradas mais de perto pelos mercados, reguladores e autoridades.”

Criminosos vendem NFTs para si mesmos

A Chainalysis também aponta no mesmo documento para um crescimento no chamado “wash trading”, uma prática na qual proprietários de NFTs “vendem” um de seus ativos enviando o dinheiro para si mesmos, destinado-o a outra carteira de digital de criptomoedas que eles controlam. Assim, eles inflam artificialmente o valor do token não fungível.

Valor proveniente de atividades ilícitas recebido por plataformas de NFTs por trimestre (Imagem: Reprodução/ Chainalysis)
Valor proveniente de atividades ilícitas recebido por plataformas de NFTs por trimestre (Imagem: Reprodução/ Chainalysis)

Sempre se falou que as criptomoedas facilitam a lavagem de dinheiro. No entanto, parece que os NFTs finalmente começaram a ser usados em uma escala maior por criminosos para lavar fundos ilícitos.

O estudo identificou milhares de casos de NFTs comprados de endereços “autofinanciados“, ou seja, situações em que o endereço da carteira que está comprando o NFT já havia recebido o dinheiro pelo endereço que está vendendo o token. Há casos onde um único endereço envia fundos para as carteiras do comprador e do vendedor.

Grupo lucra US$ 8,9 milhões com wash trading

Segundo a Chainalysis, um vendedor em particular chamou sua atenção. O usuário teria feito 830 vendas. Além disso, 262 usuários foram identificados como autores de vendas autofinanciadas por mais de 25 vezes. No total, o lucro obtido por esse grupo foi de cerca de US$ 8,9 milhões.

Aparentemente, essa prática de lavagem de dinheiro também vem afetando as estatísticas do mercado de NFTs. Na semana passada, por exemplo, o marketplace de NFTs LooksRare ultrapassou a OpenSea (líder em vendas de tokens não fungíveis) em volume de negociações. No entanto, os analistas descobriram que mais de US$ 8 bilhões em transações de NFTs poderiam ter sido de usuários vendendo ativos para si mesmos.

Com informações: Chainalysis