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“Porto Maravalley” é o sonho de ter um Vale do Silício no Rio de Janeiro

Prefeitura do Rio investe em iniciativas para atrair empresas de tecnologia e formar profissionais do setor; projeto deve sair do papel no 1º semestre de 2022

Ana Marques
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A Prefeitura do Rio de Janeiro tem planos ambiciosos para o Porto Maravilha — ou melhor “Porto Maravalley”. O apelido, revelado em 2021 pelo secretário municipal de Desenvolvimento Econômico, Inovação e Simplificação, Chicão Bulhões, está intimamente relacionado com o objetivo do projeto: criar um polo para startups e empresas de tecnologia na zona portuária do Rio. Seria algo como o Vale do Silício carioca — ou, pelo menos, essa é a intenção.

Mural por Eduardo Kobra no Porto Maravilha (Imagem: Buzancar/Wikimedia Commons)

As ações para criar o “Vale do Silício carioca”

O Rio de Janeiro é conhecido mundialmente por suas belezas naturais, mas Bulhões coloca em pauta uma outra meta “ser a capital da inovação e tecnologia do país”. Em agosto, Chicão contou ao Globo que já havia fechado com uma universidade privada “de ponta” para “competir com as estrangeiras”, com a garantia de participação de alunos bolsistas. Agora, aparentemente, a prefeitura está finalizando negociações com mais parceiros.

Em entrevista recente ao Mobile Time, o secretário disse que o Porto Maravalley será lançado ainda no primeiro semestre de 2022. Atualmente, a prefeitura coordena algumas ações para torná-lo possível — uma delas é a efetiva criação do distrito com benefícios fiscais. A previsão de investimento é de R$ 40 milhões para reformas e adequação da instalação.

Bulhões afirma que, nesta região, o Imposto Sobre Serviços (ISS) será de 2% — contra 5% pago por empresas de TI na cidade. A ideia é que mais companhias se sintam atraídas e instalem bases por lá.

“O Rio de Janeiro tem que ser o local de inovação do País. Não podemos perder espaço para o interior de São Paulo, que foi agressivo em ISS (…) Produção intelectual a gente tem. Só que hoje exportamos essas pessoas. A primeira missão é manter essas pessoas investindo aqui.”

Chicão Bulhões em entrevista ao Mobile Time

Além disso, com o projeto Programadores Cariocas, a prefeitura pretende distribuir bolsas para formação de desenvolvedores web full stack. O programa é destinado a pessoas com ensino médio completo em escolas públicas, e a previsão é que ao menos 3 mil novos programadores sejam formados até 2024.

Prefeitura quer atrair empresas como iFood e Buser

Em setembro, o Porto Maravalley anunciou seu primeiro parceiro, a gigante da saúde Rede D’Or, que deve transferir o seu setor de desenvolvimento tecnológico para um dos galpões na região. Agora, em janeiro de 2022, a cidade lançou um sandbox regulatório para incentivar inovações que estão em uma espécie de “limbo”.

De acordo com Chicão Bulhões, bons exemplos de empresas que poderiam explorar esse espaço seriam a Buser, com ônibus de fretamento alugados por plataforma online, e o iFood, com as entregas via drone.

Empresas que têm propostas de soluções inovadoras — com potencial impacto social positivo — devem entrar em contato com a secretaria para tentar uma vaga no programa. O projeto vai permitir que a prefeitura tenha acesso a dados que podem ajudar a criar regulamentações e políticas públicas. Em troca, as selecionadas ganham autorização temporária para o desenvolvimento de produtos e serviços na cidade.

Revitalização do Porto Maravilha é sonho antigo

A revitalização da zona portuária está há tempos nos planos do prefeito da cidade, Eduardo Paes. Durante o período que precedeu as Olimpíadas Rio 2016, a região esteve sob holofotes, recebeu uma repaginação de arquitetura e urbanismo, hospedou diversos eventos e foi palco para o início de obras para construção de empreendimentos corporativos.

Entretanto, após os Jogos, a área sofreu com o abandono. Em 2018, durante o mandato do ex-prefeito, Marcelo Crivella, o jornal O Dia publicou uma reportagem mostrando a situação do local — na ocasião, 81% dos imóveis corporativos construídos dentro do projeto do Porto Maravilha, estavam vagos, e empresários reclamavam da falta de investimento de órgãos públicos.

Ao visitar o Porto Maravilha em determinados horários, especialmente em dias de semana, a impressão que dá é de que é uma “cidade fantasma”. Não há muito movimento, o comércio é escasso — para encontrar algo mais relevante, você precisa caminhar até o Centro, e não é uma região muito segura. Aos finais de semana, é um lugar bonito para tirar fotos e andar de patins — mas tem que ter cuidado.

Apesar dos prédios construídos, o plano de transformar a área no “Novo Centro” ficou encalhado. Agora, com a nova gestão de Paes e o tal “Maravalley”, resta saber se a revitalização realmente (e finalmente) vai ter prosseguimento fora do papel.

Ana Marques

Editora-assistente

Ana Marques é jornalista e trabalha com tecnologia há 6 anos. Formada pela UFRJ, já passou pelo TechTudo (Globo) e pelo hub de conteúdo do Zoom, onde cobriu eventos nacionais e internacionais, analisando celulares, fones e outros eletrônicos. Em 2019, iniciou a coluna semanal "Vida Digital" no site da revista Seleções (Reader's Digest). Antes disso tudo, cursou Farmácia e fundou uma banda de rock.

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