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Assange, do WikiLeaks, levanta US$ 50 mi com NFT para escapar de extradição

Grupo de apoiadores AssangeDAO arrecada milhões em ether (ETH) e compram NFT "Clock" para financiar batalha no tribunal do Reino Unido

Bruno Ignacio

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O famoso fundador do WikiLeaks, Julian Assange, recebeu um generoso apoio financeiro através da venda milionária de um NFT. O token não fungível levantou mais de US$ 50 milhões em ether (ETH). O ativo foi adquirido por um coletivo ativista dedicado a auxiliá-lo financeiramente em sua guerra no tribunal britânico.

Julian Assange em 2014 (Imagem: David G Silvers/Chancelaria do Equador)
Julian Assange em 2014 (Imagem: David G Silvers/Chancelaria do Equador)

O token não fungível foi batizado de “Clock”, resultado de uma criação colaborativa de Assange com o artista digital Pak. O NFT exibe um contador digital dos dias que o fundador do WikiLeaks passou atrás das grades na prisão de Belmarsh, em Londres, onde está aguardando extradição para os EUA.

No entanto, a decisão do tribunal do Reino Unido de extraditá-lo ainda não é final. Assange planeja apelar para evitar a todo o custo responder às diversas e graves acusações de espionagem nos Estados Unidos, especialmente as que dizem respeito aos arquivos publicados sobre as guerras do Afeganistão e do Iraque.

Caso Assange seja considerado culpado, sua pena poderia somar até 175 anos de prisão. Para sua sorte, o grande leaker possui muitos apoiadores. Segundo o artista Pak, os lucros da venda do ativo digital serão direcionados para o coletivo ativista cripto chamado AssangeDAO e para a fundação Wau Holland, com sede em Hamburgo, outra organização sem fins lucrativos que aceita doações para a defesa legal de Assange.

DAO financiou compra de NFT com doações em ETH

Uma DAO é uma sigla que representa “organização autônoma descentralizada”. No caso, um coletivo virtual desses foi criado para apoiar a causa de Assange, mas com maior segurança, menos rastreabilidade e contando com o pseudoanonimato. Além disso, o envolvimento no meio cripto permite financiar a guerra judicial do criador do WikiLeaks de maneira mais efetiva e sem sofrer sanções.

Gabriel Shipton, irmão de Assange, esteve envolvido na criação do DAO. Ele já participava de conferências sobre criptomoedas há anos, esperando obter apoio de uma multidão que parece estar “totalmente alinhada com a filosofia de Julian”. 

Afinal, o próprio WikiLeaks foi uma das primeiras organizações de alto perfil a aceitar doações de bitcoin (BTC), ainda em 2011, depois de ser colocado na lista negra por plataformas e serviços de pagamento em 2010. 

Com um grupo formado, eles começaram a idealizar o projeto cripto para auxiliar financeiramente Assange. O processo se acelerou diante do desespero que veio após a decisão de extraditá-lo em dezembro. Um exemplo inspirador foi o denunciante da NSA, Edward Snowden, que conseguiu arrecadar US$ 5,5 milhões em abril de 2021 vendendo um NFT de seu próprio rosto feito a partir de páginas de uma decisão do tribunal de apelações dos EUA.

Assim, os NFTs se mostraram uma saída. O AssangeDAO concordou então em se dedicar a uma missão simples, mas não necessariamente fácil. O grupo foi levantando o máximo de criptomoedas que pôde, o que se provou extremamente frutífero com o anúncio do leilão de NFT de Pak e Assange. Através de lances atrás de lances, eles garantiram que o Clock subisse de preço até a casa dos milhões.

O grupo também passou a aceitar doações em ether no início deste mês através da plataforma de crowdfunding cripto Juicebox, que se mostrou um grande sucesso, arrecadando cerca de US$ 52 milhões. Todos os doadores receberam criptomoedas $JUSTICE, que funciona como um token de autoridade, dando aos detentores uma voz sobre como os recursos do AssangeDAO são usados. 

Conforme o leilão foi ao ar, a oferta vencedora foi de longe a do AssangeDAO, de 16.593 ETH, cerca de US$ 40 milhões a mais do que o segundo maior lance, dado pelo CEO da exchange de criptomoedas Kraken.

Com informações: Wired, The Guardian