Início / Notícias / Finanças /

Bitcoin deixa de ser “porto seguro” após invasão à Ucrânia; entenda oscilações

Tensão geopolítica põe em cheque crença de que bitcoin (BTC) e criptomoedas são proteção econômica em momentos de crise; ouro e dólar estão mais atrativos

Bruno Ignacio

Por

Notícia
Achados do TB Achados do TB

As melhores ofertas,
sem rabo preso 💰

A crença de que o bitcoin (BTC) é um “porto seguro” financeiro em momentos de crise e temor geopolítico está sendo desafiada após a Rússia invadir a Ucrânia. A tensa situação fez os preços dos principais ativos digitais despencarem nesta última quinta-feira (24). Agora, reservas de valor mais tradicionais, como o ouro e o dólar americano, ganham cada vez mais espaço.

Bitcoin (Imagem: Executium/Unsplash)
Bitcoin é considerado “ouro digital” (Imagem: Executium/Unsplash)

Preços do bitcoin e ether despencaram

Dados do CoinMarketCap mostram que o preço do bitcoin caiu do patamar de US$ 39 mil para abaixo dos US$ 35 mil entre os dias 23 e 24 de fevereiro. O ether (ETH), a segunda maior criptomoeda em valor de mercado, também sofreu o mesmo destino, despencando de US$ 2.700 para US$ 2.300 no mesmo intervalo.

Nesta sexta-feira (25), os dois ativos conseguiram se recuperar, já que investidores viram a repentina queda como uma boa oportunidade para comprar. No momento de publicação desta matéria, o bitcoin valia US$ 39,3 mil, enquanto o ether era negociado a US$ 2.720.

Preço do bitcoin despenca após a Rússia invadir a Ucrânia (Imagem: Reprodução/ CoinMarketCap)
Preço do bitcoin despenca após a Rússia invadir a Ucrânia (Imagem: Reprodução/ CoinMarketCap)

Ouro e dólar são mais procurados durante crise

Independentemente das grandes variações de preço, o conflito na Ucrânia evidenciou algo mais importante: o bitcoin já não é mais visto como um “porto seguro”, uma defesa contra as incertezas econômicas em momentos de crise.

Com a invasão russa na Ucrânia, o ouro disparou em preço na quinta-feira, atingindo seu maior valor desde meados de 2020, de quase US$ 2 mil por onça, segundo dados da Trading Economics. Desde a manhã de ontem, o dólar americano também não para de subir em relação ao real, registrando a maior demanda de compra desde julho do ano passado, conforme apontado pela Reuters.

Assim, o cenário fica um pouco mais claro. As reservas de valor tradicionais ganham mais espaço no mercado neste momento de temor geopolítico, enquanto as criptomoedas, consideradas mais arriscadas e voláteis, deixam de ser vistas como uma proteção econômica confiável.

Vale destacar que, assim que o conflito eclodiu na Ucrânia, as principais moedas digitais despencaram. Nesse momento, foram registradas vendas em massa de bitcoin e ether, por exemplo. Isso significa que, quando houve maior tensão geopolítica, o mercado recorreu ao ouro e ao dólar americano, não às moedas digitais.

A recuperação desta sexta-feira é um fenômeno natural para os criptoativos. Em momentos de bruscas quedas de preço, investidores rapidamente compram as criptomoedas na baixa, na esperança de revendê-las por preços maiores no curto ou longo prazo. Ou seja, a alta de hoje significa que o bitcoin ainda é procurado como investimento, mas não necessariamente como reserva de valor.

Criptomoedas ainda são “porto seguro”?

Criptomoedas (Imagem: WorldSpectrum/Pixabay)
Criptoativos e ouro são vistos como reserva de valor (Imagem: WorldSpectrum/Pixabay)

Há anos, as criptomoedas têm sido vistas como uma proteção contra a incerteza e a inflação no mundo todo. No entanto, esse primeiro teste já colocou a crença em cheque. Espera-se que a tensão política e econômica cresça ainda mais, alimentada pelo aumento dos preços do petróleo causado pela invasão russa. Como será que o mercado de criptomoedas reagirá?

“A ideia de cripto ser um porto seguro deveria estar morta”

George Monaghan

Em nota enviada à CNET, George Monaghan, analista de mercado da GlobalData, afirmou que “a ideia de cripto ser um porto seguro deveria estar morta”. Para o especialista, os evangelistas de criptomoedas ainda devem se agarrar a essa crença, mas destacou que “o equilíbrio entre interesse e compreensão ainda é muito distorcido”.

Uma pesquisa realizada no início de fevereiro pela corretora Charles Schwab revelou dados interessantes: quase 26% dos investidores consultados estavam se protegendo contra a inflação com criptomoedas ou outros ativos digitais, enquanto 23% estavam usando o ouro para isso.

De fato, muitas pessoas e empresas recorreram às moedas digitais ao longo de 2021 para se proteger de crises econômicas, altas taxas de inflação e da desvalorização de moedas locais. Grandes exemplos são países como a Argentina e Venezuela, que observaram o mercado cripto decolar enquanto suas economias definhavam.

No entanto, o cenário em 2022 já não é mais tão favorável para o bitcoin. Enquanto múltiplos recordes de preço foram atingidos no ano passado, a criptomoeda opera em baixa desde dezembro. Em janeiro, a inflação nos Estados Unidos subiu 7,5%, o maior percentual desde 1982. No entanto, os valores dos principais criptoativos não aumentaram e não se observou nenhum pico de demanda nesse período.

Bitcoin, dólar ou ouro?

Bitcoin e dólar
Criptomoedas e dólar americano (Imagem: David McBee/Pexels)

Dito isso, podemos esperar que o bitcoin não seja tão procurado como reserva de valor enquanto o dólar se mostra uma opção mais estável. No caso do ouro, a situação é um pouco diferente, já que sua liquidez não é a mesma.

Ou seja, em momentos de desespero, se pode vender rapidamente ativos digitais ou a moeda americana, mas é mais difícil fazer o mesmo com o ouro. No entanto, ele ainda proporciona um valor estável, tornando-o ainda mais seguro que o dólar.

Ao mesmo tempo, as criptomoedas têm liquidez e, teoricamente, não podem ser influenciadas diretamente por governos por serem descentralizadas. Diferente de reservas de valor tradicionais, o bitcoin já trouxe grandes perspectivas de alta. Em menos de dois anos, seu preço saltou de US$ 20 mil para o atual recorde de US$ 69 mil, registrado em novembro de 2021. No entanto, a instabilidade de preços é um grande risco para se ter em um ativo usado como “porto seguro”.

Em entrevista para Bloomberg, Kenny Polcari, sócio-gerente da Kace Capital Advisors, destacou que a tensão geopolítica atual está em outro nível. A situação na Ucrânia é um temor de guerra que, no pior dos casos, pode se tornar mundial. Assim, quanto maior o medo, maior a segurança que as pessoas procuram em suas finanças.

Com informações: CNET, Bloomberg