Google Maps desativa função na Ucrânia que deixava acompanhar invasão russa

Desde o último domingo (27), não é mais possível monitorar trânsito e áreas movimentadas em tempo real na Ucrânia pelo Google Maps

Murilo Tunholi
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Graças às funções do Google Maps de monitoramento de trânsito e áreas movimentadas, os cidadãos ucranianos conseguiam acompanhar a invasão da Rússia ao país em tempo real. Entretanto, essa realidade deixou de existir no último domingo (27), quando o Google decidiu desativar seus radares e interromper serviços de vigilância na Ucrânia em meio ao conflito.

Google Maps no Android (Imagem: Deepanker Verma/Pixabay)
Google Maps no Android (Imagem: Deepanker Verma/Pixabay)

Após consultar especialistas e autoridades federais, o Google removeu a camada de trânsito em tempo real dos mapas, assim como a ferramenta de ver movimentações de pessoas em lojas e restaurantes, por exemplo.

À Reuters, a empresa declarou ter feito a mudança no aplicativo “para garantir a segurança de comunidades locais no país”. O Tecnoblog testou o Google Maps na manhã desta segunda-feira (28) e comprovou a ausência de informações de trânsito em tempo real na capital ucraniana Kiev e em todas as outras regiões do país.

Os únicos indicadores visíveis são de interdições nas estradas que levam às fronteiras de Kiev. Desde o início do conflito, na última quinta-feira (24), mais de 400 mil civis ucranianos já deixaram o país em busca de abrigo nas nações vizinhas, segundo dados da Organização das Nações Unidas (ONU).

Google Maps mostra somente bloqueios nas estradas de Kiev, na Ucrânia (Imagem: Reprodução/Google Maps)

O Google informa, na seção de suporte do site do Google Maps, que o aplicativo mostra alertas de emergência — Alertas SOS — para “tornar as informações de emergência mais acessíveis durante uma crise natural ou causada pelo homem”. Entretanto, ao visualizar o mapa da Ucrânia, não encontramos nenhum sinal de perigo.

Além disso, a empresa diz exibir abrigos antibomba no mapa. Ao buscar por “abrigo antibomba na ucrânia”, o único resultado que aparece é o Mosteiro de Kiev-Petchersk. Não sabemos, porém, se há realmente um lugar apropriado para se proteger dentro do mosteiro. Por enquanto, civis têm se reunido em estações de metrô para evitarem bombas e disparos de armas de fogo.

Em comunicado enviado à Reuters, o Google garantiu que motoristas ainda podem acessar informações de trânsito em tempo real por meio do recurso de navegação passo a passo nos celulares.

Professor usou Google Maps para “prever” conflito

Antes do conflito entre a Rússia e a Ucrânia começar, o professor estadunidense Jeffrey Lewis, do Instituto de Estudos Internacionais de Middlebury, na Califórnia, afirmou em seu Twitter ter notado movimentações estranhas na Rússia pelo Google Maps. Em 23 de fevereiro, o pesquisador tweetou:

“Segundo o @googlemaps, há um “engarrafamento” às 3h15 da manhã na estrada de Belgorod, na Rússia, em direção à fronteira ucraniana. Começa exatamente onde vimos uma formação russa de blindados e IFV/APCs aparecerem ontem. Alguém está em movimento.

Para esclarecer um equívoco: os dados de tráfego provavelmente NÃO são de soldados carregando smartphones. Em vez disso, os civis provavelmente estão ficando presos em bloqueios de estradas, e o @googlemaps está gravando isso”.

Jeffrey Lewis, em tweets.

Com informações: The Washington Post, Reuters.

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