Suspenso no YouTube, canal da Rússia migra para rede usada por bolsonaristas

Russia Today, banido da Europa por espalhar desinformação sobre conflito na Ucrânia, migrou para plataforma popular entre apoiadores de Trump e Bolsonaro

Pedro Knoth
Por

A rede de mídia estatal russa Russia Today (RT) migrou para o Rumble, plataforma popular entre apoiadores do ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e do presidente do Brasil, Jair Bolsonaro. O RT foi suspenso na Europa, assim como a agência de notícias pró-Kremlin Sputnik, por espalhar desinformação sobre a invasão da Ucrânia. Mas o canal já deslocou sua transmissão ao vivo para a plataforma de vídeos alternativa.

Pessoa segura celular com aplicativo da emissora Russia Today
Russia Today (RT) migra para Rumble, popular entre apoiadores de Bolsonaro e Trump (Imagem: RT/ YouTube)

O Russia Today possuía canais em diversos países da Europa e tem uma transmissão em inglês, que ainda está de pé no YouTube. Entretanto, a emissora foi suspensa no continente por uma medida da União Europeia. A operação norte-americana está demitindo todos os funcionários por “eventos imprevisíveis na interrupção de negócios”.

Após as sanções, a rede estatal russa resolveu migrar do YouTube para o Rumble, plataforma alternativa que é popular entre a direita norte-americana e brasileira.

Na manhã desta sexta-feira (4) a transmissão ao vivo do Russia Today tinha 2.205 espectadores. Em comparação, na live do canal no YouTube, eram 3.188 espectadores. Claro, por migrar para uma plataforma de menor alcance, a emissora deve enfrentar alguma dificuldade para atingir a mesma audiência.

Acusada de disseminar discurso pró-Kremlin sobre a invasão da Ucrânia — que é chamada de “operação especial” em seus programas —, a emissora foi limitada em redes sociais.

O Facebook restringiu o Russia Today em resultados de pesquisa dentro da plataforma, e suspendeu a receita com anúncios, tal como o YouTube. O Twitter adotou bloqueio de publicidade e recomendações da conta do RT. Já o Reddit baniu todos os links que levavam às mídias estatais russas.

Rumble abriga usuários punidos pelo YouTube

O Rumble é uma rede de vídeos que abriga personalidades famosas da direita norte-americana penalizadas no YouTube. É o caso do ex-âncora da emissora americana Fox News, Dan Bongino, suspenso após espalhar desinformação sobre a COVID-19. O popular podcaster Steven Crowder, punido duas vezes pela plataforma do Google por “discurso de ódio”, também migrou para a rede alternativa.

Como Gab, Parler, Gettr e Truth Social, o Rumble tem como atrativo a “liberdade de expressão”. Assim, a rede abriga discursos e vozes geralmente sujeitos a punições nas redes sociais das big techs. A plataforma é bastante popular entre a direita aliada a Bolsonaro no Brasil: em grupos de Telegram bolsonaristas, links para o Rumble são amplamente divulgados.

Home do site do Rumble
Home do Rumble, para onde o RT imigrou seu canal após ser suspenso no YouTube (Imagem: Reprodução)

Um dos vídeos com desinformação sobre vacinas e COVID-19, por exemplo, que circulou em um grupo de Telegram pró-Bolsonaro com mais de 60 mil membros, superou as 74 mil visualizações no Rumble.

Outro vídeo, com título e legendas em português, sobre um documentário com teorias da conspiração envolvendo o bilionário e fundador da Microsoft, Bill Gates, e o investidor George Soros, que fundou a Open Knowledge Society, tem mais de 40 mil views.

Rússia quer bloqueio de conteúdo sobre Ucrânia

Mas a Rússia tenta contra-atacar na fronteira digital: o país pediu que o YouTube bloqueie “informações políticas falsas” sobre a invasão da Ucrânia. A solicitação foi feita pelo Roskomnadzor, que fiscaliza meios de comunicação na Rússia.

O YouTube estaria servindo vídeos que fazem parte de uma campanha de propaganda com a intenção de “desinformar a audiência russa”, distorcendo a narrativa dos acontecimentos para incitar protestos contra o país. Essa é a avaliação do Roskomnadzor, que vê a rede do Google como parte da “guerra da informação”.

O órgão ainda pediu ao YouTube para que a suspensão do Russia Today e da agência Sputnik na Europa fosse revogada. O Wall Street Journal confirmou que o Google ainda não se pronunciou sobre essa demanda.

Com informações: Engadget, Android Police

Relacionados

Relacionados