Starlink envia mais terminais à Ucrânia, mas Musk não vai barrar mídia russa

Elon Musk diz que é defensor da “liberdade de expressão absoluta” e reconhece pedidos de governos para bloquear uso da Starlink pela mídia estatal da Rússia

Pedro Knoth
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A SpaceX vai enviar ainda mais terminais da Starlink à Ucrânia para ajudar cidades bombardeadas pelos russos a se conectarem em rede. O presidente do país, Volodymyr Zelensky, confirmou a nova remessa de equipamentos em seu Twitter, agradecendo Elon Musk, CEO da SpaceX e da Tesla. Por sua vez, o bilionário disse que não irá impedir agências da mídia estatal russa de usarem a internet via satélite.

Antena Starlink de segunda geração (imagem: divulgação/SpaceX)
Antena Starlink; Elon Musk envia segundo carregamento de terminais, mas diz que não vai bloquear mídia russa (Imagem: Divulgação/SpaceX)

O primeiro envio de satélites da Starlink chegou no dia 28 de fevereiro, quando a Ucrânia passava por dificuldades com o sinal de rede devido à interrupção de serviços terrestres.

Musk disse que a conexão da subsidiária da SpaceX é a única em operação nas áreas de conflito que não é russa, o que significa que ela pode virar um alvo por parte dos invasores. O pesquisador de telecomunicações, John Scott-Railton, aponta que os militares da Rússia podem rastrear a localização das antenas da Starlink e enviar mísseis ou caças de bombardeio. A Rússia tem décadas de experiência triangulando sinais de rede, como concluiu o especialista.

A guerra no leste europeu pôs a prova o sistema de comunicações terrestres da Ucrânia. As intensas batalhas em cidades como Kiev (capital) e Mariupol fizeram com que os serviços da GigaTrans, maior operadora do país, ficassem instáveis. A ONG NetBlocks registrou diversas oscilações da internet na Ucrânia.

Elon Musk diz que bloqueio só ocorre “sob mira de arma”

Apesar de fornecer internet via satélite à Ucrânia, Elon Musk diz que não vai impedir canais da mídia estatal da Rússia de usarem internet da Starlink. O bilionário escreveu em seu Twitter:

“A Starlink recebeu um pedido de alguns governos (não o da Ucrânia) para bloquear fontes de notícia da Rússia. Nós não faremos isso a não ser sob a mira de uma arma. Desculpe ser um defensor da liberdade de expressão absoluta.”

O ministro das Comunicações do Brasil, Fábio Faria, publicou em seu perfil um print com a mensagem de Musk traduzida em português, endossando a postura do bilionário. O político já se encontrou com o fundador da Tesla e da SpaceX.

Ao ser questionado por um usuário sobre os veículos russos transmitirem propaganda pró-Kremlin da guerra, o bilionário respondeu: “todos os veículos de notícia fazem propaganda, alguns mais do que outros”.

A posição de Musk faz com que a Starlink fique isolada da crescente lista de companhias ocidentais de tecnologia que bloquearam a mídia estatal russa de suas plataformas. Na semana passada, a União Europeia obrigou YouTube e Facebook a suspenderem as contas do Russia Today (RT) e Sputnik, duas agências de notícias russas. Segundo a UE, os veículos estão sendo usados para espalhar fake news que “justificam a guerra de Putin”.

Outras empresas de tecnologia também tomaram medidas em forma de paralisações: as fabricantes Apple e Samsung, por exemplo, interromperam vendas de seus produtos no país. Apple Pay e Google Pay não funcionam mais com cartões emitidos por bancos russos, enquanto o Paypal suspendeu pagamentos de sua plataforma na Rússia.

Com informações: Engadget [1], [2]

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