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Facebook Gaming quer ser Twitch, mas está repleto de pirataria e spam

Canais estranhos e táticas bizarras foram explorados no Facebook Gaming, deixando a plataforma em segundo lugar para lives de jogos

Felipe Vinha

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Uma extensa reportagem do Engadget discute como Facebook Gaming tem crescido nos últimos meses, mas sem ter um conteúdo autêntico ou até seguro. Na verdade, a plataforma de vídeos está repleta de vídeos que fingem ser streamings ao vivo, além de pirataria e spam, como também aponta o texto.

Facebook Gaming passa por problemas de conteúdo (Imagem: Reprodução)

A reportagem aponta que o serviço Streamlabs publicou um relatório onde aponta o Facebook Gaming como um grande competidor da Twitch, ficando em segundo lugar como serviço de lives, ultrapassando o YouTube Gaming. Cerca de 617 milhões de horas mensais teriam sido vistas na plataforma azul, o que levantou dúvida em muita gente.

O relatório do Streamlabs contém inconsistências, como o fato de alguns dos principais streamers do Facebook, como o jogador de futebol Neymar Jr., não aparecerem no ranking dos mais vistos do mesmo serviço. Uma breve observação e investigação indica que a maioria, ou uma grande parte, das páginas do Facebook Gaming está publicando vídeos pré-gravados, em vez de lives, além de conteúdo de origem duvidosa.

Investigação em andamento

Engadget resolveu fazer um teste e usar a ferramenta CrowdTangle, do próprio Facebook, para analisar a situação. Das 10 maiores transmissões, nove usavam táticas bizarras para manter audiência e atrair público. Algumas delas inseriam cenas de filmes no meio dos jogos, o que configura pirataria, de maneira aleatória.

O site verificou também que o maior criador de games da plataforma era uma página chamada AU. Um vídeo, publicado no início de fevereiro, chegou a ter 112 milhões de visualizações, com 22 minutos de duração. Chamado de “Cars vs Giant Crater”, o vídeo deveria ser uma transmissão de um simulador de veículos, mas seus primeiros 11 minutos usavam cenas de um filme chinês chamado Cook Up a Storm. Após os 11 minutos iniciais o clipe mudava automaticamente para o jogo.

Cars vs Giant Crater, do canal AU (Imagem: Reprodução/Engadget)

Assim, quem entrava na transmissão de início veria o filme. Mesmo que não se interesse por game a pessoa poderia continuar assistindo sem nenhum problema e entender o filme. Quando mudou para o jogo, ela já teria contribuído bastante para a visualização do canal, mesmo que saísse da página depois disso.

O grande problema é que essa não parece ser uma tática incomum ou exclusiva da página AU. Variações do mesmo clipe apareceram em outros canais, até mesmo com mais durações em horas, replicando a estratégia e ganhando ainda mais tempo de visualização. Curiosamente acontece sempre com filmes fora do circuito hollywoodiano, o que provavelmente torna a detecção de direitos autorais mais difícil para as plataformas e robôs.

O Engadget lembra ainda que publicar conteúdo geral com a tag de “game” no Facebook Gaming é contra as regras da plataforma, mas isso não parece estar sendo muito bem monitorado.

Isso sem falar em spam de conteúdo e páginas que cobram para liberar vídeos genéricos e estranhos. A página GGWP BROO cobra US$ 2 por mês de inscrição, supostamente liberando acesso a transmissão de jogos adultos, o que também vai contra as regras da plataforma. O que o usuário consegue, ao assinar, é a visualização de vídeos de TikTok de garotas dançando e o acesso a um grupo privado para troca de conteúdo.

O que o Facebook vai fazer?

De acordo com o Engadget, um porta-voz da Meta, empresa “mãe” do Facebook, disse que a companhia está trabalhando em melhores ferramentas, para detectar de forma mais adequada conteúdos que violem os termos de uso.

O representante disse ainda que o monitoramento é feito com um misto de análise humana e automática, mas que isso deve ser melhorado para também incrementar a experiência de quem usa o Facebook Gaming.

Com informações: Engadget.