Rússia perde funcionários de TI e empresas miram em programadores da Ucrânia

Enquanto empresas abrem mais de 500 vagas para profissionais de tecnologia ucranianos refugiados da guerra, Rússia vê fuga de talentos na área por sanções

Pedro Knoth
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À medida que a guerra entre Ucrânia e Rússia provoca uma das maiores crises de refugiados nos últimos tempos, grandes empresas querem contratar os profissionais de TI ucranianos que deixaram o país. Firmas de software nos Estados Unidos, Reino Unido e Canadá estão acompanhando a situação dos talentos que fugiram do conflito. Por outro lado, funcionários desse mesmo setor estão deixando a Rússia, desmotivados com as sanções de empresas como Apple, Samsung e Google.

O que é CSS? / Mika Baumeister / Unsplash
Programador trabalhando com CSS (Imagem: Mika Baumeister / Unsplash)

A guerra na Ucrânia já fez com que 2 milhões de ucranianos se deslocassem em busca de sobrevivência, segundo dados da ACNUR, agência da ONU para refugiados. Dentre eles, estão profissionais de tecnologia sem um lugar para trabalhar, e isso chamou a atenção de empresas estrangeiras.

Dezenas de companhias postaram mais de 500 anúncios de vagas para o setor de TI no site Remote Ukraine (ou Ucrânia à distância), que foi ao ar na internet para ajudar a recolocação de ucranianos nesse mercado. A maioria das empresas são europeias, mas também há a divulgação de vagas do Canadá e dos EUA.

As funções são variadas: de desenvolvedor com foco em Web3 para artista 3D sênior. Martin Armstrong, fundador da startup britânica Somerton, já conversou com alguns especialistas em tecnologia que deixaram a Ucrânia, como engenheiros, produtores de conteúdo e vendedores.

Ucrânia é 5º país com os melhores devs do mundo

Já Oscar White, CEO da Beyonk, startup de vendas de ingressos e passagens no Reino Unido, diz que está de olho em programadores ucranianos. Em entrevista à rede CNBC, afirmou: “eles estão entre os melhores do mundo em no que fazem”.

De acordo com um ranking elaborado pela provedora Grid Dynamics, a Ucrânia está entre os cinco países com os melhores desenvolvedores de software no mundo. Ucranianos que atuam na área tem expertise técnica, alta proficiência em inglês — 70% falam o idioma em nível intermediário ou superior — e domínio de tecnologias emergentes, como IA, big data e blockchain.

Antes da invasão russa, projeções da Grid Dynamics apontavam que o ecossistema de tecnologia da Ucrânia teria um volume de exportação de US$ 8,4 bilhões até 2025. Empresas como Apple, Microsoft e Samsung preferiam importar soluções de software do país do leste europeu, e dos mais 200 mil profissionais de TI que lá viviam.

Ranking de “Países com os melhores desenvolvedores de software do mundo” tem a Ucrânia como 5ª colocada (Imagem: Daxx.com/ Grid Dynamics)

Profissionais de TI deixam Rússia

Já na Rússia, profissionais de TI estão deixando o país desmotivados pelas sanções aplicadas por grandes empresas de tecnologia e pelo medo de serem convocados para lutar na guerra da Ucrânia.

Apple e Microsoft, por exemplo, paralisaram suas operações no país. Muitos contratos com fornecedores russos foram rompidos; trabalhadores autônomos que prestam serviço para firmas estrangeiras estão com dificuldades de receberem seus salários.

Sergei, russo que faz design para aplicativos e websites, deixou sua casa em São Petersburgo com sua esposa, que é ucraniana. Ele contou à Rest of The World que fugiu para Belgrado, capital da Sérvia.

O profissional de TI comenta que “as pessoas que trabalham em tecnologia e podem fazer isso à distância” estão todas deixando o país.

O sentimento é compartilhado entre os executivos de empresas da Rússia. Roman Shaposhnik, cofundador e diretor-executivo de tecnologia da firma de computação Zezeda, com sede no famoso Vale do Silício, diz que empreendedores estão “atordoados”.

Shaposhnik está ajudando outras empresas a moverem seus funcionários, junto com suas famílias, para Chipre, ilha no Mediterrâneo que já possui uma expressiva comunidade empreendedora de russos. Mas muitos não querem deixar para trás as carreiras que construíram.

“É algo que eles demoraram 10 anos de suas vidas para construir. E agora, a percepção de que eles podem desistir disso é simplesmente brutal”, disse o CTO da Zezeda.

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