Google Play dá exemplo para App Store e deixa assinar Spotify por fora

Usuários de Android poderão assinar o Spotify pela Google Play Store ou pelo sistema de cobrança da plataforma de streaming de músicas

Bruno Gall De Blasi
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Google quer mudar a mecânica de assinaturas feitas em apps para Android baixados pela Play Store. Em um novo teste, a companhia anunciou que vai permitir que os usuários assinem o Spotify por fora do sistema de cobranças do Google Play. A iniciativa é uma resposta às regras da App Store, a loja de aplicativos para iPhone.

Google anuncia programa piloto para permitir outros sistemas de cobrança em apps baixados pela Google Play Store (Imagem: André Fogaça/Tecnoblog)
Google anuncia programa piloto para permitir outros sistemas de cobrança em apps baixados pela Google Play Store (Imagem: André Fogaça/Tecnoblog)

A medida parte de uma parceria entre o Google e o Spotify. Nesta quarta-feira (23), as companhias anunciaram a colaboração para dar mais opções de contratação aos usuários. Ou seja, o pagamento do plano Premium poderá ser feito pelo sistema do Google, o Google Play Billing, ou diretamente pela plataforma de streaming.

“Pela primeira vez, essas duas opções ficarão lado a lado no app”, afirmou o Spotify em um comunicado à imprensa. “Nos próximos meses, o Spotify trabalhará com as equipes de produto e engenharia do Google para criar essa nova experiência e lançaremos em países ao redor do mundo”.

A novidade está prevista para ser liberada aos usuários nos próximos meses.

Google e Spotify firmam parceria para liberar assinaturas da plataforma de streaming por fora da Play Store (Imagem: StockSnap/Pixabay)
Google e Spotify firmam parceria para liberar assinaturas da plataforma de streaming por fora da Play Store (Imagem: StockSnap/Pixabay)

Google Play testa outros métodos de cobrança em apps

O acordo parte de uma nova abordagem da loja de aplicativos para Android. Também nesta quarta-feira (23), o Google anunciou um programa piloto para diversificar a forma de pagamentos de assinaturas: o “User Choice Billing”. Assim, os desenvolvedores poderão oferecer métodos próprios ou o sistema de cobrança da Google Play Store para a contratação de serviços dentro dos apps.

Inicialmente, o programa estará disponível para um pequeno número de desenvolvedores. Segundo o Google, a iniciativa ajuda a explorar maneiras de oferecer essa opção aos usuários mantendo a sua capacidade de investir no ecossistema. “Este é um marco significativo e o primeiro em qualquer grande loja de aplicativos”, afirmaram em um blog do Android.

O Google não deu mais detalhes sobre a disponibilização do programa. A companhia, por outro lado, relembrou que permite a oferta de sistemas de cobrança alternativos na Coreia do Sul desde o fim do ano passado. Ou seja, com o anúncio de ontem, o programa será levado para outros países – mas também não se sabe quais.

Google dá exemplo à App Store, loja de apps para iPhone e iPad (Imagem: André Fogaça/Tecnoblog)
Google dá exemplo à App Store, loja de apps para iPhone e iPad (Imagem: André Fogaça/Tecnoblog)

Programa é uma resposta à loja de apps para iPhone

A iniciativa, caso seja levada adiante, tem o potencial de alterar o funcionamento das lojas de apps. Atualmente, os desenvolvedores só podem oferecer o sistema de cobrança do Google caso o app seja baixado pela Play Store. Além disso, o modelo ainda prevê uma taxa ao responsável pelo aplicativo, que pode chegar a 15% por transação.

Esta, portanto, parece ser uma boa notícia aos desenvolvedores. Afinal, caso a plataforma tenha um sistema de pagamentos próprio, o que é o caso do Spotify, a companhia não precisa ficar necessariamente atrelada à Google Play para angariar novos assinantes dentro do seu app. E é exatamente isso que a plataforma de streaming ressalta: 

“O Spotify tem defendido publicamente plataformas justas e opções de pagamento expandidas, entre outras coisas, porque plataformas justas e abertas permitem melhores experiências ao consumidor e permitem que os desenvolvedores cresçam e prosperem – quando isso acontece, todos ganham.”

O Google também dá um exemplo à Apple com a ação. Visto que os apps para iPhone só podem ser baixados pela App Store, os desenvolvedores dependem bastante do sistema de cobrança da fabricante. Ou seja, caso queiram oferecer a contratação de assinaturas dentro dos aplicativos, as empresas precisam arcar com as taxas da loja.

Todavia, a Apple implementou mudanças na política da App Store para reduzir o controle sobre as assinaturas. Em setembro, a fabricante do iPhone afirmou que os desenvolvedores poderiam incluir links para fazer a inscrição em serviços fora dos aplicativos. Outras medidas que flexibilizam as regras foram reveladas em agosto.

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