Operadoras denunciam roubo de 4 milhões de metros de cabos de internet

Roubo de cabos deixou mais de 6 milhões de pessoas sem internet em 2021; entidade pede ação coordenada de segurança pública para combate ao furto de fios

Lucas Braga
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As operadoras de internet enfrentam dificuldades para oferecer serviços de qualidade, e um dos fatores é o crescente furto ou roubo de cabeamentos que conectam equipamentos de telecomunicações. A Conexis, entidade que representa operadoras como Claro, Oi, TIM e Vivo, apurou que 4,12 milhões de metros de cabos foram subtraídos ao longo de 2021.

Um monte de cabos de telecomunicações pendurados num poste de energia
Poste com cabos de telecomunicações (Imagem: Lucas Braga / Tecnoblog)

A associação diz que as ações criminosas deixaram mais de 6 milhões de clientes desconectados, e que o furto de cabo também prejudica e desconecta serviços de emergência como polícia, bombeiros e emergências médicas.

Em dezembro de 2021, a Conexis apresentou uma carta aberta em conjunto com outras associações de provedores de internet pedindo ação coordenada de segurança pública pelo combater ao furto de cabos. A Anatel já reconhece o problema, e também lida com outras ações criminosas como sequestro de torres de telefonia móvel e cobrança de pedágio para equipes de manutenção.

Roubo de cabos diminuiu em 2021

A Conexis divulgou mais estatísticas: o estado de São Paulo foi o mais prejudicado pelo furto e roubo de cabos, com 1,081 milhão de metros apropriados indevidamente. O Paraná aparece na segunda posição, com 608,5 mil metros, seguido pelo Rio de Janeiro, com 504,1 mil metros.

Em comparação com o ano anterior, os roubos de cabo diminuíram 11% — em 2020, a entidade havia registrado 4,6 milhões de metros subtraídos, o que deixou 6,7 milhões de clientes desconectados. A entidade diz que a diminuição do roubo de cabos foi reflexo do diálogo intensificado com autoridades federais, estaduais e municipais pelo combate às ações de furto e vandalismo de fios e equipamentos.

No entanto, o panorama pode ser diferente, dependendo da região. O Rio Grande do Sul, por exemplo, teve aumento de 75% na quantidade de metros furtados ao longo de 2021.

Afinal, por que roubam de cabos de internet?

Existem alguns tipos de ações criminosas que motivam o roubo de cabos de telecomunicações:

Venda

Criminosos furtam cabos para vender em ferro-velho, empresas de reciclagem e sucata. Muitos dos fios utilizam cobre, material com alto valor de mercado.

Interrupção do serviço

Operadoras vandalizam o cabeamento de empresas concorrentes, com objetivo de manchar a reputação de um provedor e conquistar os clientes que ficaram desconectados.

Apropriação para utilização

Provedores clandestinos aproveitam o material furtado para construir sua rede e vender internet para novos clientes com o material apropriado de forma indevida.

Alguns desses problemas acontecem principalmente em cidades do interior, comunidades e bairros periféricos. No Rio de Janeiro, grandes operadoras enfrentam dificuldades para vender serviços em algumas localidades dominadas por criminosos, que passam a ter monopólio de internet banda larga com qualidade precária.

O problema vai além do roubo de cabos: em 2021, a Oi identificou 105 áreas no estado do Rio de Janeiro em que os técnicos da operadora são barrados por milícia ou grupo de tráfico. Esse tipo de restrição impede a expansão do serviço Oi Fibra, bem como a manutenção dos clientes existentes conectados por cabos de cobre.

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