Empresas de bitcoin revivem economia de antigos polos de mineração de carvão

Mineradores de bitcoin (BTC) estão se instalando em minas de carvão e em outras estruturas abandonadas no interior dos EUA e reanimando economias locais

Bruno Ignacio
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Pequenas cidades do interior dos Estados Unidos e antigos polos de mineração de carvão estão vendo suas economias serem reanimadas com a chegada de grandes instalações de mineração de bitcoin (BTC). Esse fenômeno é o resultado de uma série de incentivos fiscais implementados em meados de 2021 e da ampla disponibilidade de eletricidade barata, principalmente no estado de Kentucky.

Mineradores de bitcoin se estabelecem em antigos polos de mineração de carvão dos EUA (Imagem: Consulting 24/Flickr)
Mineradores de bitcoin se estabelecem em antigos polos de mineração de carvão dos EUA (Imagem: Consulting 24/Flickr)

Desde março do ano passado, a região vem recebendo vários caminhões cheios de equipamentos de mineração de bitcoin. O governador de Kentucky, Andy Beshear, aprovou duas leis em 2021 para incentivar empresas mineradoras de criptomoedas a se estabelecerem no estado do sudeste dos Estados Unidos.

Interior dos EUA atrai mais e mais mineradores de BTC

Um bom exemplo desse curioso fenômeno é a cidade de Belfry, que possui cerca de quinhentos habitantes. O município já foi um importante polo de mineração de carvão no passado, mas hoje só restam minas abandonadas após esforços federais e estaduais para promover o uso de energia limpa.

No entanto, esses locais abandonados estão se tornando a casa de mineradores de bitcoin. A Blockware Solutions, uma empresa de infraestrutura de blockchain e mineração de criptomoedas, anunciou na semana passada que abriu sua principal instalação de mineração na minúscula cidade de Kentucky, e planeja ainda outros três centros parecidos no estado.

Mineração de bitcoin (Imagem: Dmitry Demidko/Unsplash)
Mineração de bitcoin (Imagem: Dmitry Demidko/Unsplash)

São duas leis que vêm atraindo os mineradores para o estado do interior dos EUA. A primeira estende os incentivos baseados em energia limpa aos mineradores que realizarem um investimento mínimo de US$ 1 milhão, enquanto a segunda oferece aos mineradores uma série de isenções fiscais. Ou seja, essas empresas devem usar eletricidade não poluente em suas operações para receber parte dos benefícios.

Desde março de 2021, quando as normas foram aprovadas pelo governador, Kentucky não para de receber mineradores de criptomoedas. Em outubro do ano passado, o estado já representava 18,7% de todo o hashrate de bitcoin dos Estados Unidos, perdendo apenas para os 19,9% em Nova York, segundo dados da Foundry Digital, uma subsidiária da grande companhia de criptomoedas Digital Currency Group.

Consumo extra de energia ajuda economia local

A Blockware Solutions ocupou uma das minas abandonadas de carvão em Belfry para criar um centro de mineração de criptomoedas que deverá consumir cerca de 20 megawatts anualmente, o equivalente ao consumo de uma cidade de cerca de 5 mil habitantes. No entanto, isso não é um problema. Muito pelo contrário, a demanda extra por eletricidade ajuda bastante a economia local.

“Espero que uma região conhecida pela mineração de carvão agora se beneficie desse tipo diferente de mineração”

Angie Hatton, representante do estado de Kentucky, ao TechCrunch.

Segundo o governo estadual, a presença de empresas como a Blockware Solutions deve ajudar a estabilizar a rede elétrica local e a baixar o preço da energia para os cidadãos.

Na realidade, quando há bastante oferta e pouca demanda, fornecedores de energia elétrica tendem a cobrar mais das famílias para fechar as contas. No entanto, uma grande instalação de mineração de criptomoedas na região deve equilibrar as coisas.

O CEO da Blockware, Mason Jappa, também conversou com o TechCrunch. De acordo com o executivo, “não há muitos consumidores de energia como a Blockware na região, então, se houver o consumo de grande quantidade de energia, a rede se torna mais equilibrada”.

Mineradores de BTC aproveitam estruturas abandonadas

As minas de carvão abandonadas não são os únicos locais que vem recebendo reformas. Imóveis vazios em todo o país, desde siderúrgicas no estado de Illinois a armazéns esquecidos em Oklahoma, estão sendo utilizados para abrigar novos centros de mineração de criptomoedas, de acordo com Nick Hansen, CEO da plataforma Luxor, em entrevista ao TechCrunch.

“A maioria desses lugares tem uma ampla estrutura elétrica por padrão, o que é perfeito para os mineradores de bitcoin, que podem se instalar e já começar a operar… Essas antigas cidades manufatureiras estão se transformando em cidades de bitcoin.”

Centro de mineração de criptomoedas (Imagem: Marko Ahtisaari/Flickr)
Centro de mineração de criptomoedas (Imagem: Marko Ahtisaari/Flickr)

Além de cidades como Belfry, o condado de Dickens, que abriga cerca de 2.000 pessoas, é mais uma das muitas áreas economicamente deprimidas nos últimos 30 a 40 anos devido à perda de trabalho agrícola. Trata-se também de mais uma cidade em que mineradores de bitcoin estão agitando a economia local e se aproveitando de ampla oferta de energia e de grandes estruturas desativadas.

“Estamos reaproveitando fábricas e antigas usinas de carvão que foram abandonadas e que estavam cobertas de poeira… Nós limpamos a área, limpamos os prédios e embelezamos os imóveis para transformá-los em regiões aproveitáveis ​​e habitáveis.”

Mason Jappa, CEO da Blockware

A Blockware não revelou quanto dinheiro investiu e qual o retorno esperado para os cidadãos de Kentuchy com essa grande empreitada cripto na região. Mesmo assim, é interessante ver como a mineração de criptomoedas pode trazer grandes benefícios, em vez de atrapalhar a rede elétrica de centros urbanos e aumentar as emissões de carbono ao se instalar em regiões que usam muita energia poluente.

Com informações: TechCrunch

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