Produção de iPhones na China é interrompida e Apple busca alternativas

Segunda maior fabricante de iPhones do mundo fecha fábricas na China à espera do fim do lockdown; especialista cita alternativas para Apple no curto prazo

Pedro Knoth
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A cadeia de produção de iPhones deve sofrer impacto, pelo menos no curto prazo, devido ao lockdown em Xangai, na China. A cidade tenta conter o maior surto de COVID-19 desde o começo da pandemia. A segunda maior fabricante de celulares da Apple no mundo, a taiwanesa Pegatron Corp, suspendeu as operações de suas instalações na metrópole chinesa e em Kunshan, província vizinha que também foi incluída na quarentena.

iPhone 13 Pro
Produção de iPhone 13 e outros modelos deve ser impactada por lockdown na China (Imagem: Lucas Braga / Tecnoblog)

Marcas globais de smartphones, notebooks e eletrônicos em geral são bastante dependentes das cadeias de produção de fabricantes localizadas no sudoeste da Ásia e na China. Desde o começo da pandemia, empresas como Apple e Samsung têm criado estratégias para diversificar a fonte de componentes usados para construir dispositivos.

De acordo com a Comissão de Supervisão Financeira do Taiwan, até a última sexta-feira (7), 161 companhias taiwanesas paralisaram totalmente as operações em Xangai e em Kunshan — 41 delas produzem eletrônicos.

Ming Chi Kuo, analista da consultoria TF Internacional, prevê que a produção de iPhones deve voltar ao normal, na melhor das hipóteses, até o final de abril ou no começo de maio. Enquanto a Pegatron freia as atividades, a Foxconn — maior fabricante de produtos Apple do mundo — deve assumir a cota de aparelhos a serem fabricados pela concorrente.

Apple já foi afetada uma vez por lockdown na China

Mas essa estratégia tem brechas: a Foxconn já interrompeu o funcionamento de sua fábrica em Shenzhen em razão de um lockdown que entrou em vigor em março. Como não é a primeira vez que a Apple é afetada por quarentenas na China, a empresa tem algumas saídas para superar o problema.

O analista da TF Internacional citou em postagem no Twitter que o bom relacionamento da dona do iPhone com o governo chinês e sua capacidade de mitigar impactos logísticos devem ajudá-la a superar as dificuldades impostas pelo lockdown.

“No entanto, o impacto na confiança do consumidor será proporcional à duração da quarentena. Isso pode afetar as encomendas de eletrônicos (incluindo produtos da Apple) em 2022”, explica Kuo.

Problemas logísticos estão obrigando fabricantes a utilizarem o inventário reserva de componentes, o que as leva a quase não cumprir a meta de produção. Em razão do sufoco, muitas peças inadequadas acabam sendo usadas para montar dispositivos, cita a TrendForce em relatório.

A Pegatron disse à Reuters que depende da autorização do governo para resumir suas operações em Xangai e em Kunshan, e que vai manter um contato com consumidores e fornecedores e informá-los quando a retomada do trabalho presencial nas fábricas assim que possível. A Apple não retornou à reportagem para comentar sobre a questão.

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