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Na mira do governo, Shopee já conta com 2 milhões de vendedores brasileiros

Shopee Brasil faz sucesso e já conta com mais vendedores locais do que marketplaces de grandes empresas, como Magalu e Americanas

Ana Marques

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Sucesso no Brasil, a Shopee vem chamando a atenção não somente da concorrência — que já a acusa de “contrabando” e pede medidas enérgicas ao governo —, mas também de pequenos e médios lojistas, que veem na plataforma uma vitrine para vender seus produtos online. Nesta semana, a empresa anunciou que ultrapassou 2 milhões de vendedores brasileiros registrados.

Entrega da Shopee (Imagem: Divulgação)
Entrega da Shopee (Imagem: Divulgação)

Além dos pequenos empreendedores, grandes marcas como Nivea, Reserva, Empório Nestlé e mais compõem essa base. Segundo a Shopee, 85% das vendas em seu marketplace são feitas por brasileiros.

O número de inscritos supera (e muito) outras empresas de comércio eletrônico, incluindo o Magazine Luiza e Americanas, que contam com pouco mais de 100 mil vendedores locais cadastrados. Também para fins de comparação, o Mercado Livre tem 9 milhões de sellers registrados em toda a América Latina.

Em entrevista à Folha, Felipe Piringer, diretor de marketing e estratégia da Shopee Brasil diz que a operação local do e-commerce “não é uma tradução do site estrangeiro”. A companhia afirma já ter capacitado mais de 50 mil empreendedores por meio de webinars nos últimos 12 meses.

Mas tamanha popularidade vem deixando outros players preocupados. Como noticiamos no final de março, uma comitiva formada por representantes de empresas, como Multilaser e Havan, pediu que o governo federal tomasse medidas enérgicas para conter o que eles chamaram de “camelódromo digital”.

Taxas teriam “impacto reduzido” na operação

Para a concorrência que defende a reforma de impostos para o setor, plataformas como Shopee, AliExpress e Shein praticam contrabando ao se aproveitarem de uma brecha na lei relacionada à importação de bens abaixo de US$ 50 — o que é válido para pessoas físicas.

Após a pressão feita pela comitiva, surgiram os primeiros indícios de que o governo estaria trabalhando em uma medida provisória para cobrar os valores diretamente das plataformas, em vez de taxar o consumidor quando o produto chega à alfândega.

Por se tratar de uma taxa direcionada a importações, não está claro de que forma esse tipo de medida pode afetar vendedores brasileiros registrados. Mas do ponto de vista de negócio, não é impossível pensar que ao ser cobrado, o marketplace acabe repassando algum custo a parceiros.

De todo modo, à Folha, Piringer disse que a MP acabaria tendo impacto “reduzido” sobre a operação da Shopee Brasil, uma vez que apenas 13% de suas vendas são de produtos importados. O executivo ressalta ainda que plataforma não importa nada diretamente — é apenas um canal que vende produtos de terceiros.

Investindo no Brasil

A Shopee tem o Brasil como uma das peças-chave em sua estratégia: o país está entre os selecionados para receber uma parte do investimento de US$ 1,5 bilhão destinado à América Latina em 2022.

A estimativa do banco americano Goldman Sachs é de que a plataforma já represente uma fatia de 5% do e-commerce brasileiro — isso em pouco mais de dois anos desde que a companhia chegou por aqui, e as perspectivas são de crescimento acelerado.

Pensando em vendedores, a empresa mantém uma proposta competitiva. Além dos treinamentos oferecidos por meio de programas no seu Centro de Educação, a companhia cobra comissões de 12% de parceiros — enquanto outros players podem ficar com até 20%. Além disso, a Shopee não cobra comissão do seller caso haja cancelamento da compra.

Por fim, vendedores cadastrados na plataforma também dispõem de ferramentas internas voltadas para anúncios (Shopee Ads), podendo assim impulsionar as suas próprias vendas no aplicativo e no site.