Bezos provoca Musk sobre possível influência da China após compra do Twitter

O fundador da Amazon, Jeff Bezos, questionou se aquisição do Twitter por Elon Musk daria influência para a China sobre a rede social; plataforma é bloqueada no país asiático

Bruno Ignacio
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Após Elon Musk comprar o Twitter por US$ 44 bilhões, o fundador da Amazon, Jeff Bezos, usou a rede social para provocar o CEO da Tesla e da SpaceX. Ele questionou se a aquisição daria mais influência para a China. Atualmente, a plataforma está bloqueada no país asiático, mas Musk possui negócios muito importantes por lá e já advogou inúmeras vezes por mais “liberdade de expressão” no Twitter.

Jeff Bezos não é mais CEO da Amazon (Imagem: Daniel Oberhaus / Flickr)
Jeff Bezos (Imagem: Daniel Oberhaus / Flickr)

A cutucada de Bezos veio na forma de um tweet, perguntando se “o governo chinês acabou de ganhar um pouco de influência” sobre a “praça da cidade”, termo muito usado por Musk para definir o Twitter como um importante espaço para o debate público e para a democracia.

O questionamento do fundador da Amazon é, de certa forma, válido. Elon Musk é uma figura excêntrica e a China é um país particularmente importante para os negócios de sua companhia de carros elétricos.

Aproximadamente metade dos veículos que a Tesla vendeu globalmente no ano passado foram feitos em sua fábrica em Xangai. Além disso, a China ainda é a principal origem das baterias usadas nos carros da empresa.

Pouco tempo depois, Bezos respondeu a sua própria pergunta:

“Minha própria resposta a esta pergunta é que provavelmente não. O resultado provável a esse respeito é a complexidade na China para a Tesla, em vez de censura no Twitter.”

No entanto, o fundador da Amazon também ponderou que o CEO da Tesla é uma pessoa muita bem articulada nessas situações: “Veremos. Musk é extremamento bom em lidar com esse tipo de complexidade”.

Com Musk, Twitter pode abrandar moderação

Logotipo do Twitter
Twitter (Imagem: Vitor Pádua / Tecnoblog)

Musk se autodenomina um “absolutista” da liberdade de expressão e vinha criticando a política de moderação de conteúdo do Twitter. Em uma novela que se estendeu por algumas semanas, ele finalmente fechou um acordo para adquirir a plataforma por US$ 44 bilhões, pagando US$ 54,20 por ação, nesta última segunda-feira (25).

Pouco antes do anúncio oficial da aquisição do Twitter, Musk tweetou que espera que até seus “piores críticos” permaneçam no Twitter, argumentando que “é isso que significa liberdade de expressão”.

A negociação foi amplamente noticiada no mundo todo e ativistas políticos esperam que o Twitter, que agora é mais uma propriedade de Musk, seja mais leniente em suas regras, implicando em uma moderação de conteúdo mais branda.

Até mesmo o retorno do perfil oficial de Donald Trump, ex-presidente dos Estados Unidos, se tornou parte da discussão ontem. Sua conta foi permanentemente suspensa no início de 2021 por “incitar a violência” repetidamente através de suas postagens.

China usaria Tesla para ganhar influência no Twitter?

Elon Musk na fábrica da Tesla em Fremont, Califórnia (Imagem: Maurizio Pesce/Flickr)
Elon Musk na fábrica da Tesla em Fremont, Califórnia (Imagem: Maurizio Pesce/Flickr)

Como mais uma peça no tabuleiro, a Tesla poderia ainda ser usada como “refém” pelo governo chinês para conseguir mais influência na plataforma recém-adquirida por Elon Musk. O Twitter é bloqueado na China desde 2009.

Pequim entende que não consegue gerenciar (e censurar) o conteúdo postado na rede social, que já foi usado, por exemplo, para organizar protestos de minorias sociais na província de Xinjiang.

Diante das especulações de Bezos, nesta terça-feira (26) o Ministério das Relações Exteriores da China disse que não havia base para a teoria de que Pequim poderia tentar usar sua importância para a Tesla a fim de influenciar o conteúdo no Twitter.

Procurada pela Reuters, um porta-voz da Tesla disse que a empresa não tem comentários sobre o assunto. O Twitter também não respondeu ao ser questionado sobre a possibilidade da China influenciar na moderação de conteúdo da rede social.

Com informações: Reuters

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