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Elon Musk quer monetizar tweets e cortar empregos para pagar empréstimo

Para que bancos concordassem em financiar compra do Twitter, Elon Musk compartilhou planos para aumentar a lucratividade da empresa e reduzir os custos de operação

Bruno Ignacio

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Elon Musk tem planos para deixar o Twitter mais lucrativo enquanto reduz o custo da companhia. Em uma conversa com os bancos que concordaram em financiar sua aquisição de 44 bilhões de dólares da rede social, o bilionário indicou que pretende diminuir os salários e cortar empregos. Além disso, ele desenvolveria maneiras de monetizar tweets virais, com informações relevantes e incorporados por sites.

Elon Musk (Imagem: Tesla Owners Club Belgium/Flickr)
Elon Musk (Imagem: Tesla Owners Club Belgium/Flickr)

As informações vieram de fontes familiarizadas com as negociações que conversaram com a Reuters, sob a condição de não terem suas identidades reveladas visto que tudo que foi dito é sigiloso. As ideias de Musk foram apresentadas aos credores, dias após enviar sua oferta de compra ao Twitter, para tentar garantir o financiamento.

As fontes disseram ainda que as propostas de Musk são apenas suas ideias pessoais e ainda estão longe de se tornarem planos concretos. Mesmo assim, sua apresentação aos bancos foi essencial para conseguir o financiamento necessário para seguir com a aquisição da plataforma.

Musk teve que convencer os bancos de que o Twitter produzia lucro suficiente para pagar o empréstimo que ele buscava. Como resultado, ele conseguiu US$ 13 bilhões em empréstimos garantidos, vinculados ao Twitter, e outro financiamento de US$ 12,5 bilhões, atrelados a suas ações da Tesla. O restante ele pagou com seu próprio dinheiro.

Segundo as fontes entrevistadas pela Reuters, os planos de Musk ainda são muito escassos em detalhes. Além disso, o CEO da Tesla só poderá efetivamente fazer algo quando assumir a gestão da rede social, provavelmente entre setembro e outubro deste ano.

Monetização de tweets e taxa por incorporação?

Logotipo do Twitter
Twitter (Imagem: Vitor Pádua / Tecnoblog)

Sua principal proposta para gerar mais lucro seria uma maneira de ganhar dinheiro com tweets que contenham informações importantes ou que se tornem virais, disseram as fontes. As ideias compartilhadas com os bancos incluíam, por exemplo, a cobrança de uma taxa quando um site desejasse linkar ou incorporar um tweet de contas verificadas.

Musk também busca deixar o Twitter menos dependente da publicidade. Uma maneira seria repensar o serviço de assinatura premium da rede, o Twitter Blue. Como o bilionário disse em um tweet deletado, ele pensa em reduzir seu preço, proibir anúncios para os assinantes e entregar uma nova opção de pagamentos na criptomoeda dogecoin.

No entanto, o novo dono do Twitter não chegou a especificar mais seus planos de monetização. Por isso, ainda é muito prematuro estimar possíveis taxas e especular sobre como Musk cobraria as organizações.

O bilionário divulgou nesta semana que vendeu US$ 8,5 bilhões em ações da Tesla, uma medida que provavelmente visa ajudar a financiar seu acordo com o Twitter. Musk também disse aos bancos que buscará aplicar políticas de moderação na plataforma que sejam mais livres, mas ainda dentro das restrições legais de cada jurisdição em que o Twitter opera.

Musk quer cortar empregos para reduzir custos

Outro plano de Musk para melhorar a saúde financeira do Twitter é reduzir salários dos diretores do conselho da plataforma, o que, segundo ele, poderia resultar em cerca de US$ 3 milhões em economias em um ano.

Elon Musk, CEO da Tesla (Imagem: Oberhaus/Flickr)
Elon Musk, CEO da Tesla (Imagem: Oberhaus/Flickr)

Em seu discurso para os bancos, Musk também disse que a margem bruta do Twitter é muito menor que a de concorrentes, como o Facebook da Meta e o Pinterest. Ele usou esse argumento para demonstrar como há muito espaço para mudanças na administração da empresa para que seu custo de operação seja menor.

De acordo com informações publicadas pela Bloomberg na última quinta-feira (28), Musk mencionou especificamente os cortes de empregos como parte de seu plano econômico. No entanto, uma das fontes ouvidas pela Reuters disse que ele não tomará decisões sobre o assunto até que assuma a gestão da empresa. Afinal, o bilionário nunca teve acesso a dados confidenciais, como o número de funcionários e estatísticas da economia interna do Twitter.

Musk também planeja trocar o CEO da plataforma, acrescentou uma das fontes, mas se recusou a revelar a identidade do sucessor. No início deste mês, ele disse ao presidente do Twitter, Bret Taylor, que não confia na administração da empresa de Parag Agrawal, nomeado CEO em novembro.

O empréstimo de US$ 13 bilhões vinculado ao Twitter equivale a sete vezes o lucro projetado da companhia para 2022, antes de juros, impostos, depreciação e amortização. Isso era muito arriscado para alguns bancos, que decidiram então participar apenas do empréstimo de margem, disseram as fontes.

Outra variável de risco analisada por alguns bancos que desistiram do acordo é a imprevisibilidade de Musk. Segundo as fontes, há medo de que a gestão do bilionário possa resultar em um êxodo de talentos do Twitter, prejudicando assim os negócios da companhia.

Com informações: Reuters, Bloomberg