iFood é acusado por concorrentes de favorecer seu próprio vale-refeição

Associação que reúne Alelo, Ticket, Sodexo, VR e mais 12 empresas entra com representação no Cade contra iFood Benefícios

Giovanni Santa Rosa
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A grande participação do iFood no mercado de alimentação é alvo de constantes questionamentos. O mais recente vem das empresas de vale-refeição. Elas acusam a empresa de favorecer seu próprio cartão, o iFood Benefícios, ao usar dados de clientes e dar cashbacks.

iFood (imagem: Facebook/iFood)
iFood (Imagem: Facebook/iFood)

O processo corre no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) a partir de uma representação da Associação Brasileira de Empresas de Benefícios ao Trabalhador (ABBT). A entidade reúne as 16 companhias do setor, incluindo grandes nomes, como Alelo, Sodexo, Ticket e VR.

A argumentação das empresas se baseia em três pontos:

  • A plataforma tem acesso aos dados do delivery e consegue criar um perfil do consumidor com eles.
  • A empresa dá descontos maiores do que o mercado poderia oferecer, além de “cashbacks” e prazos para pagamento maiores.
  • O aplicativo dá preferência ao cartão iFood Benefícios em detrimento dos concorrentes.

A ação era sigilosa até a quarta-feira (4), quando o Cade a tornou pública. O iFood tem 15 dias para se manifestar.

O que diz o iFood

Lucas Pittioni, diretor jurídico da empresa, disse ao Valor Econômico que “não há que se falar em dano à concorrência quando apenas se trata de maior competição”.

Ele aponta que 90% das operações do vale da empresa são feitas em compras presenciais como supermercados e restaurantes e que as empresas da ABBT ainda detêm cerca de 90% do mercado.

Pittioni afirma ainda que não há interesse da empresa em favorecer seu próprio cartão no aplicativo. “Quanto mais opções para o usuário na plataforma, mais negócios”, argumenta. “Nosso interesse é ter um maior número de pagamentos possível.”

Cade já proibiu contratos de exclusividade do iFood

O processo da ABBT é o segundo que o iFood enfrenta no Cade. Antes dele, houve uma representação da Rappi em setembro de 2020. Em dezembro daquele ano, a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) entrou como parte interessada.

Eles argumentavam que a plataforma usava sua posição dominante no mercado para firmar contratos de exclusividade e dificultar a concorrência.

Em março de 2021, o Cade proibiu o iFood de fechar novos contratos de exclusividade com restaurantes antes mesmo do fim do processo, como medida preventiva. Uber Eats e 99Food também se juntaram à representação.

Com informações: Folha de S.Paulo, Valor Econômico.

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