Telegram suspende maior grupo pró-Bolsonaro, mas mantém canais extremistas no ar

Grupo "B-38" do Telegram foi suspenso por disseminar informações falsas sobre o processo eleitoral; dezenas de comunidades nazistas e antissemitas seguem no ar

Bruno Ignacio
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O Telegram suspendeu o maior grupo pró-Bolsonaro no mensageiro por disseminar “conteúdo ilegal”. O chat era o de maior circulação de mensagens de apoio ao presidente e constantemente questionava o atual processo eleitoral. A medida está alinhada com as novas políticas de moderação de conteúdo da plataforma para combater fake news, mas há ainda dezenas de outras comunidades extremistas no ar.

Logotipo do Telegram
Telegram (Imagem: Vitor Pádua / Tecnoblog)

O grupo contava com aproximadamente 67,2 mil membros no início de maio e não está mais acessível desde a semana passada. A comunidade suspensa era chamada “Super Grupo B-38 Oficial”, nome que faz referência ao partido Aliança pelo Brasil, que Jair Bolsonaro tentou criar após deixar o PSL.

As últimas mensagens foram enviadas em 6 de maio. Agora, ao tentar acessar o grupo, o Telegram notifica o usuário com a seguinte mensagem:

“Desculpe, este grupo foi temporariamente suspenso para dar a seus moderadores tempo de limpá-lo após algum usuário ter publicado conteúdo ilegal. Nós reabriremos o grupo assim que a ordem for restabelecida.”

No Twitter, o perfil do grupo B-38 também compartilhou um vídeo em que o presidente Bolsonaro agradece o apoio dos usuários.

Telegram segue STF e reforça combate a fake news

O Telegram já havia começado a implementar essa política de moderação exigida pelo Supremo Tribunal Federal para que a plataforma não fosse suspensa no Brasil. Em março, o mensageiro chegou a ser bloqueado temporariamente à pedido da Polícia Federal e por determinação do ministro Alexandre de Moraes, que argumentou que a disseminação de informações falsas prejudicava a integridade das eleições de 2022.

Ainda em março, o Telegram passou a deletar posts do canal oficial do presidente Bolsonaro e começou a monitorar os cem grupos mais populares da plataforma. No mesmo mês, o mensageiro assinou o Programa de Enfrentamento à Desinformação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), forçando-o a combater conteúdos falsos relacionados ao processo eleitoral.

Entre os cem canais mais populares que passaram a ser monitorados pelo Telegram, estão o perfil oficial do presidente e também o grupo, agora suspenso, B-38. Conforme apurado pelo Globo, parte desses chats seguiam a disseminar desinformação relacionada ao processo eleitoral até o último domingo.

Ministro Alexandre de Moraes, do STF (Imagem: Carlos Moura/SCO/STF)
Ministro Alexandre de Moraes, do STF, deu um ultimato no Telegram em março (Imagem: Carlos Moura/SCO/STF)

A suspensão do maior canal pró-Bolsonaro na plataforma gerou uma série de discussões entre usuários pertencentes a outros grupos extremistas e armamentistas, segundo informações do Globo. Entre as mensagens, falava-se que, com a mudança na política de moderação do mensageiro, já era de se esperar que as comunidades mais radicais fossem derrubadas.

Também foi questionado se o Telegram está aplicando as exigências das autoridades brasileiras apenas em grupos de “extrema direita”, ou se o mesmo está sendo feito em comunidades “radicais de esquerda”.

Dezenas de outros canais extremistas ainda estão no ar

A apuração do Globo identificou ainda dezenas de outros chats que seguem compartilhando conteúdos extremistas e similares ao que veiculavam no B-38. Nesses grupos, vários ataques ao atual processo eleitoral, às urnas eletrônicas, e ao TSE e STF seguem acontecendo via Telegram.

Segundo o Globo, há também diversas “teorias de conspiração” envolvendo um suposto golpe ou “complô” contra o presidente circulando pelo mensageiro. Além disso, o jornal identificou a existência de dezenas de grupos antissemitas e nazistas no Telegram que seguem funcionando, mesmo com mensagens claramente racistas e que fazem apologia a Adolf Hitler, por exemplo.

Com informações: O Globo

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