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Twitter é multado por vender e-mail e telefone de usuários para anunciantes

Segundo as autoridades americanas, o Twitter vendeu informações de contato de usuários para anunciantes, sem consentimento, durante seis anos

Bruno Ignacio
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O Twitter foi acusado de vender informações de contato dos usuários da rede social para anunciantes sem seu consentimento. Entre os dados, estavam números de telefone e e-mails vinculados às contas na plataforma. Agora, a empresa terá que pagar uma multa de US$ 150 milhões como parte de um acordo com a Comissão Federal de Comércio dos EUA (FTC), conforme anunciado na última quarta-feira (25).

Logotipo do Twitter
Twitter (Imagem: Vitor Pádua / Tecnoblog)

De acordo com os documentos judiciais divulgados nesta semana, o Twitter foi acusado pelas autoridades americanas de usar ilegalmente os dados pessoais dos usuários durante seis anos. Números de telefone e endereços de e-mail foram vendidos para anunciantes para fins de publicidade direcionada.

A Comissão Federal de Comércio dos EUA e o Departamento de Justiça americano dizem que o Twitter violou um acordo de 2011 feito com reguladores. Nele, a empresa prometeu não usar informações coletadas para fins de segurança, como números de telefone e endereços de e-mail dos usuários, para anúncios.

No entanto, os investigadores federais dizem que o Twitter quebrou essa promessa. “Como observa a acusação, o Twitter obteve dados de usuários com o pretexto de aproveitá-los para fins de segurança, mas acabou usando as informações para direcionar anúncios aos usuários”, disse a presidente da FTC, Lina Khan, na acusação. Como resultado, a companhia concordou em pagar uma multa de US$ 150 milhões pela infração.

O Twitter exige que os usuários forneçam um número de telefone e endereço de e-mail para autenticação de conta. Essas informações servem também para ajudar as pessoas a redefinir suas senhas e a desbloquear suas contas quando a empresa bloqueia o login devido a atividades suspeitas.

Twitter no iPhone (Imagem: André Fogaça/Tecnoblog)
Twitter no iPhone (Imagem: André Fogaça/Tecnoblog)

Porém, a FTC afirma que, pelo menos até setembro de 2019, o Twitter também usava essas informações pessoais dos usuários, sem seu consentimento, para vender anúncios direcionados. Estima-se que a plataforma manteve essa prática por seis anos.

No documento judicial divulgado na quarta-feira, promotores federais afirmaram que mais de 140 milhões de usuários do Twitter forneceram esse tipo de informação pessoal com base em “declarações enganosas do Twitter”.

“Os consumidores que compartilham suas informações privadas têm o direito de saber se essas informações estão sendo usadas para ajudar anunciantes”, disse a procuradora americana Stephanie Hinds.

Twitter reconhece que vendeu informações privadas

Na quarta-feira, o diretor de privacidade do Twitter, Damien Kieran, fez uma declaração sobre o acordo fechado com a FTC. Em um post no blog da plataforma, ele reconheceu que as informações pessoais dos usuários “podem ter sido usadas, sem nenhum aviso, para publicidade”. Por outro lado, ele também afirmou que a empresa não está mais vendendo dados coletados para fins de segurança.

“Manter os dados seguros e respeitar a privacidade é algo que levamos extremamente a sério e cooperamos com a FTC em todas as etapas”, escreveu Kieran na postagem. O acordo ainda precisa passar pela aprovação do tribunal encarregado. Nos termos definidos, o Twitter concordou em parar de lucrar com informações coletadas para fins de segurança, além de limitar o acesso dos funcionários da rede social aos dados pessoais dos usuários.

Para garantir o cumprimento dos termos acordados com a FTC, os reguladores e um fiscalizador independente vão supervisionar as práticas de publicidade do Twitter por vinte anos.

Elon Musk diz que notícia é “muito preocupante”

Elon Musk
Elon Musk (Imagem: Vitor Pádua/Tecnoblog)

Na quinta-feira (26), Elon Musk, que fechou um acordo para adquirir o Twitter por US$ 44 bilhões em abril, tweetou sobre o caso: “Se o Twitter não foi sincero aqui, o que mais não é verdade? Esta é uma notícia muito preocupante.”

Atualmente, o CEO da Tesla e o Twitter protagonizam uma dramática novela. Após questionar a veracidade das estimativas da empresa para o número de contas falsas e robôs presentes na rede social, Musk suspendeu temporariamente o acordo de compra. Desde então, o bilionário vem questionando e atacando com frequência a companhia e seus executivos.

Com informações: NPR

Bruno Ignacio

Bruno Ignacio é jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero. Cobre tecnologia desde 2018 e se especializou na cobertura de criptomoedas e blockchain, após fazer um curso no MIT sobre o assunto. Passou pelo jornal japonês The Asahi Shimbun, onde cobriu política, economia e grandes eventos na América Latina. Já escreveu para o Portal do Bitcoin e nas horas vagas está maratonando Star Wars ou jogando Genshin Impact.

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