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Qualcomm quer comprar ações da ARM após ser contra venda para Nvidia

CEO da Qualcomm considera formar consórcio para comprar uma fatia grande da ARM; aquisição pela Nvidia causava preocupação no setor

Giovanni Santa Rosa
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A arquitetura ARM está presente em muitos celulares e tablets. Por isso, a empresa que desenvolve essa tecnologia (que também se chama ARM) é considerada crucial no setor. A tentativa de compra pela Nvidia em 2021 deixou muita gente preocupada, mas o negócio não foi para frente. Agora, é a vez da Qualcomm tentar levar uma fatia da empresa.

Prédio da Qualcomm (imagem: André Fogaça/Tecnoblog)
Prédio da Qualcomm (imagem: André Fogaça/Tecnoblog)

Quem manifestou o interesse foi o presidente e CEO da Qualcomm, o brasileiro Cristiano Amon. Ao jornal Financial Times, ele disse que a empresa está interessada em investir. “É um ativo muito importante, que será essencial no desenvolvimento da nossa indústria.”

O conglomerado japonês SoftBank, que hoje é dono da ARM, pretende abrir o capital da empresa e listar as ações na bolsa de Nova York. A Qualcomm é uma das interessadas nos papéis, mas ela não faz questão de ser a única.

Amon diz que a Qualcomm pode se juntar a outras fabricantes de chips e comprar a ARM, desde que a aliança formada seja “grande o suficiente”.

Cristiano Amon (imagem: divulgação/Qualcomm)
Cristiano Amon (imagem: divulgação/Qualcomm)

Entre as interessadas em fazer parte da compra conjunta, estão a Intel e a coreana SK hynix. Executivos das duas empresas já deram declarações nesse mesmo sentido.

Controle da ARM tira sono de fabricantes de chips

Isso serviria para acalmar os ânimos, já que há preocupações sobre o controle corporativo da detentora da arquitetura.

Este foi, inclusive, um dos motivos de queixa da Qualcomm durante o processo de aquisição da ARM pela Nvidia.

Nvidia na BGS 2018 (imagem: Facebook/Nvidia)
Nvidia na BGS 2018 (imagem: Facebook/Nvidia)

A fornecedora de chips para celulares e tablets manifestou sua objeção em documentos enviados a autoridades regulatórias dos EUA, Europa e China, em fevereiro de 2021.

Sua preocupação era que a Nvidia atuasse como “guardiã” da tecnologia da ARM. Isso poderia dificultar o uso da arquitetura por outras empresas. A Qualcomm é uma das grandes clientes da ARM.

A empresa não era a única a se preocupar. Fontes ouvidas em sigilo pela Bloomberg em fevereiro de 2021 garantiram que Google e Microsoft também tinham receito do que poderia acontecer caso a aquisição fosse concluída. As duas empresas não se manifestaram publicamente, porém.

Toda essa pressão deu resultado. Em fevereiro de 2022, a Nvidia desistiu da compra da ARM. Ela considerou que seria muito difícil conseguir a aprovação dos órgãos reguladores. O negócio deveria envolver US$ 40 bilhões.

Com informações: Ars Technica, The Register.

Giovanni Santa Rosa

Giovanni Santa Rosa é formado em jornalismo pela ECA-USP e cobre ciência e tecnologia desde 2012. Foi editor-assistente do Gizmodo Brasil e escreveu para o UOL Tilt e para o Jornal da USP. Cobriu o Snapdragon Tech Summit, em Maui (EUA), o Fórum Internacional de Software Livre, em Porto Alegre (RS), e a Campus Party, em São Paulo (SP). Atualmente, é autor no Tecnoblog.

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