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App de ciclo menstrual promete modo anônimo após decisão sobre aborto nos EUA

Flo diz que vai remover dados de identificação pessoal; ativistas temem que informações sobre menstruação possam ser usadas contra quem aborta

Giovanni Santa Rosa
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Após a decisão da Suprema Corte dos EUA que retirou proteções legais para o aborto, muitas pessoas passaram a se preocupar com seus aplicativos de registro de ciclo menstrual. O temor é que as informações possam ser usadas em processos contra quem recorre à prática. Um dos mais famosos apps desse tipo, o Flo, anunciou que pretende implantar um modo anônimo.

Aplicativo Flo de controle de ciclo menstrual
Aplicativo Flo de controle de ciclo menstrual (Imagem: Divulgação / Flo)

Ainda não se sabe como vai funcionar o modo anônimo do Flo, muito menos quando ele será lançado. A empresa disse apenas que o recurso vai remover a identidade pessoal da conta. Assim, teoricamente, ninguém poderia identificar a quem pertencem aqueles dados.

Especialistas em privacidade passaram a alertar sobre o uso de aplicativos de acompanhamento de ciclo menstrual quando um rascunho da decisão da Suprema Corte dos EUA vazou. Eles chamam a atenção para o compartilhamento de dados com outras entidades.

O Flo, inclusive, já teve problemas em relação a isso. Em 2019, uma reportagem do Wall Street Journal revelou que o aplicativo compartilhava dados sensíveis com Google, Facebook e outros. Entre as informações, estavam detalhes sobre os ciclos menstruais e tentativas de engravidar. A empresa fez um acordo com a Comissão Federal de Comércio dos EUA em 2021 e passou a obter consentimento explícito para compartilhar tais dados.

Concorrente dispara, mas pode não ser tão seguro

Enquanto isso, outro app da categoria teve um grande aumento. O Stardust chegou ao topo da App Store da Apple nos EUA após prometer criptografar dados para que eles não possam ser acessados pelo governo.

No entanto, nem todos os dados estão a salvo. Uma análise do TechCrunch descobriu que, ao fazer login com o número de telefone, ele é compartilhado com uma empresa de análise de dados. Segundo a reportagem, isso seria suficiente para permitir que procuradores exijam que a empresa entregue os dados.

A fundadora do Stardust garante que essa ferramenta será desativada na próxima atualização do aplicativo.

Isso, porém, pode não ser suficiente. A política de privacidade do app diz que ele pode coletar dados do dispositivo, atividades e localização. O documento também afirma que a companhia pode entregar dados anonimizados quando exigido pela lei ou pela justiça.

Com dados: Engadget, TechCrunch.

Giovanni Santa Rosa

Giovanni Santa Rosa é formado em jornalismo pela ECA-USP e cobre ciência e tecnologia desde 2012. Foi editor-assistente do Gizmodo Brasil e escreveu para o UOL Tilt e para o Jornal da USP. Cobriu o Snapdragon Tech Summit, em Maui (EUA), o Fórum Internacional de Software Livre, em Porto Alegre (RS), e a Campus Party, em São Paulo (SP). Atualmente, é autor no Tecnoblog.

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