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Elon Musk desiste de comprar Twitter, e empresa ameaça processar bilionário

Advogado de Musk envia carta a executivos do Twitter e diz que dados sobre usuários da plataforma são falsos ou enganosos

Giovanni Santa Rosa
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Depois de muitas idas e vindas, o negócio entre Elon Musk e Twitter chegou ao fim. Em uma carta enviada por um de seus advogados, o bilionário manifestou sua intenção de encerrar a transação, que envolveria US$ 44 bilhões. O empresário diz que a rede social não forneceu informações suficientes sobre contas fake em sua plataforma.

Elon Musk
Elon Musk (Imagem: Vitor Pádua/Tecnoblog)

A carta foi revelada por um registro na SEC, autoridade que regula o mercado financeiro dos EUA. Escrevendo ao diretor jurídico do Twitter, o advogado Mike Ringler acusa a empresa de “não cumprir com suas obrigações contratuais”. Ele afirma ainda que a empresa não deu a Musk as informações que o contrato requeria.

“Às vezes, o Twitter ignorou os pedidos do sr. Musk; às vezes, rejeitou por motivos aparentemente não-justificáveis; às vezes, disse cumprir os requerimentos e deu ao sr. Musk informações incompletas ou inutilizáveis”, diz o documento.

Além da quebra de contrato, Ringler declara que o Twitter violou o acordo de compra. Segundo o advogado, o documento contém “informações materialmente imprecisas”.

Musk alega que o Twitter tem mais contas de spam do que a empresa declara. O Twitter, por sua vez, diz que não é possível fazer essa conta a partir apenas de dados públicos. Nas análises, uma equipe de especialistas da empresa chegou ao número de 5% de fakes.

Na carta, o advogado diz que todos os indicativos sugerem que as informações do Twitter sobre seus mDAUs (sigla em inglês para “usuários monetizáveis diariamente ativos”) são falsas ou materialmente enganosas.

As ações do Twitter caíram 6% após o fechamento do mercado. Como destaca a Reuters, os papéis estão sendo negociados a um valor 36% menor do que os US$ 54,20 que Musk topou pagar em abril.

Bret Taylor, presidente do conselho do Twitter, escreveu na rede social que a empresa está comprometida com a conclusão do negócio e pretende tomar medidas legais para isso acontecer. “Estamos confiantes que venceremos na Corte de Chancelaria de Delaware”, declarou Taylor.

O acordo estipula uma multa de US$ 1 bilhão caso Musk não complete a aquisição por falta de recursos financeiros ou impedimentos legais. Caso o próprio comprador desista, porém, a penalidade não se aplica.

De maior acionista a (quase) dono

A novela da compra do Twitter por Elon Musk começou em abril, quando veio a público a informação de que o CEO da Tesla e da SpaceX havia se tornado o maior acionista individual da rede social. Musk passou meses comprando milhões de ações diariamente até chegar a esse posto.

A empresa, então, ofereceu ao bilionário uma cadeira no conselho. Musk recusou e formalizou uma proposta de compra de 100% dos papéis da empresa por US$ 44 bilhões, sendo US$ 21 bilhões de seus próprios recursos.

Em um primeiro momento, o Twitter ensaiou recusar ou, pelo menos, dificultar a oferta. Essa posição não durou muito, e as duas partes fecharam negócio.

Menos de um mês depois, no entanto, surgiu a controvérsia dos bots. Musk diz precisar saber qual a quantidade exata de contas fake e de spam na rede social.

O Twitter diz que esse número não passa de 5% dos usuários monetizáveis diariamente ativos, mas o empresário põe em dúvida esses dados — para ele, o número pode chegar a 20%. Especialistas independentes acreditam que entre 9% e 15% dos usuários do Twitter são bots.

Com informações: Reuters, CNBC.

Giovanni Santa Rosa

Giovanni Santa Rosa é formado em jornalismo pela ECA-USP e cobre ciência e tecnologia desde 2012. Foi editor-assistente do Gizmodo Brasil e escreveu para o UOL Tilt e para o Jornal da USP. Cobriu o Snapdragon Tech Summit, em Maui (EUA), o Fórum Internacional de Software Livre, em Porto Alegre (RS), e a Campus Party, em São Paulo (SP). Atualmente, é autor no Tecnoblog.

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