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Netflix perde quase 1 milhão de assinantes (e isso é uma boa notícia)

Cenário não é tão ruim para a empresa, já que a previsão era queda de 2 milhões de assinantes no trimestre; ações sobem 8% no after market

Paula Alves
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Nesta terça-feira (19), a Netflix divulgou o seu relatório financeiro do segundo trimestre de 2022 e a perda de “apenas” 970 mil assinantes. Parece alarmante, mas é bem menos do que a queda de 2 milhões de contas pagantes projetada para o período. Além disso, a empresa prevê uma recuperação já para os próximos meses.

Logotipo da Netflix com pipoca
Netflix (Imagem: Vitor Pádua / Tecnoblog)

O começo de 2022 foi turbulento para a Netfix, que registrou a primeira queda em assinantes dos últimos 10 anos. Mas a companhia mostra agora que, apesar do cenário ruim que ainda persiste no segundo trimestre, está focada em estratégias para contornar a situação.

No contexto, os números divulgados em geral foram positivos: a Netflix fechou o segundo trimestre com um crescimento de 9% em sua receita (US$ 7,97 bilhões), com 220,67 milhões de assinantes e com um lucro por ação na casa dos US$ 3,20 – que excedeu suas expectativas de US$ 3,00 para o período.

Inflação e Stranger Things

O impacto que a valorização do dólar americano teve em relação à maioria das outras moedas – e o fato de quase 60% da receita da empresa vir de fora dos EUA – foi uma das dificuldades de crescimento apontadas pela Netflix para esse trimestre.

Por outro lado, o conteúdo da plataforma foi bastante celebrado no balanço como um dos grandes responsáveis pela aderência do público.

Os destaques do catálogo foram encabeçados pela quarta temporada de Stranger Things, que teve um retorno triunfal entre os fãs. Com seus sete primeiros episódios transmitidos durante o período analisado, a série gerou 1,3 bilhão de horas visualizadas na plataforma, além de ter despertado o interesse dos usuários para suas temporadas 1, 2 e 3, visualizadas cinco vezes mais em relação ao mês anterior.

Netflix na TV (Imagem: David Balev/Unsplash)
Netflix na TV (Imagem: David Balev/Unsplash)

Taxa para contas compartilhadas e novo plano

Segundo a Netflix, no curto prazo, a prioridade da empresa para acelerar o seu crescimento de receita é a de melhorar a sua monetização. Meta essa que, nos últimos meses, já resultou em algumas mudanças anunciadas pela plataforma, como o lançamento de um plano mais barato com anúncios e a taxação de contas compartilhadas.

O novo pacote da Netflix, previsto para ser lançado no início de 2023, contará com a Microsoft como sua parceira de tecnologia e venda de anúncios, mas ainda não teve o seu valor divulgado. Vale lembrar, porém, que, atualmente, o plano mais barato do serviço custa R$ 25,90 / mês – um valor de assinatura maior do que o de outras muitas plataformas de streaming disponíveis no Brasil.

Já a estratégia da empresa de cobrar uma taxa extra de quem divide senha com pessoas de fora da sua casa, já está em teste em alguns países da América Latina. Na Argentina, El Salvador, Guatemala, Honduras e República Dominicana, a medida entrou em vigor recentemente e os valores cobrados variam de R$ 9 a R$ 16.

Escritório da Netflix em Amsterdã (Imagem: Divulgação/Netflix)
Escritório da Netflix em Amsterdã (Imagem: Divulgação/Netflix)

Terceiro trimestre prevê novos assinantes

Com essas novas estratégias adotadas e indo na contramão do que aconteceu no primeiro semestre do ano, a expectativa da Netflix para os meses de julho, agosto e setembro é de que haja um crescimento de 1 milhão de assinantes.

A boa notícia, no entanto, fica abaixo do que especialistas da área haviam projetado: um aumento de 1,84 milhão de usuários pagantes no serviço.

Um pé no freio que mostra que a empresa tem adotado uma política bastante cautelosa em relação aos seus resultados, tanto no que diz respeito à projeção elevada de perda de assinantes, quanto às baixas expectativas de crescimento para os próximos meses.

Independentemente disso, porém, os números divulgados hoje em sua carta aos investidores parecem ter agradado Wall Street, já que as ações da empresa subiram 8% na Nasdaq (NY), após o fechamento do mercado.

Paula Alves

Autora

Paula Alves é jornalista especialista em streamings e cultura pop. Formada pela Unesp (Universidade Estadual Paulista), antes do Tecnoblog, trabalhou por sete anos com jornalismo impresso na Editora Alto Astral. No digital, escreveu sobre games e comportamento para a Todateen e sobre cinema e TV para o Critical Hits. Apaixonada por moda, já foi assistente de produção do SPFW.

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