Apple é acusada de fazer discriminação para repelir formação de sindicatos

Companhia continua na lista de marcas que se esforçam para impedir a união de seus profissionais; Tesla, Amazon e Activision são outros nomes

Ricardo Syozi
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A Apple recebeu uma denúncia vinda diretamente de sua loja física, a World Trade Center Store, em Nova York. Quem preencheu o documento foi a National Labor Relations Board (NLRB), uma empresa independente que visa proteger os direitos de funcionários do setor privado americano. A queixa aponta que a casa da maçã discriminou empregados interessados em uma possível sindicalização.

Logotipo da Apple
Apple (Imagem: Vitor Pádua / Tecnoblog)

Segundo Kayla Blado, porta-voz da NLRB, a companhia realizou diversas discriminações contra os profissionais de suas lojas do varejo. Aparentemente, a Apple impediu que folhetos sobre sindicatos fossem deixados nas mesas das salas de descanso, mesmo que papéis sobre outros assuntos sejam permitidos.

Além disso, funcionários disseram na denúncia que interrogatórios focados em “apoio à sindicalização” e “atividades ao redor de discussões salariais” aconteceram na loja física. Algo potencialmente desconfortável e direcionado a assustar os empregados.

As investigações por parte da NLRB começaram em maio de 2022, após um comunicado entregue aos gerentes das lojas da Apple. Nele, há discretas ameaças aos trabalhadores, desencorajando iniciativas de uniões a associações.

Se a casa da maçã não realizar um acordo o quanto antes, ela terá que participar de uma audiência com um juiz de lei administrativa da National Labor Relations Board no dia 13 de dezembro. O objetivo é o de forçar a empresa a informar os profissionais de seus direitos e oferecer treinamento para supervisores.

Briga por sindicalização nos EUA não é novidade

Não é de hoje que trabalhadores buscam por mais direitos ao lado de associações nos Estados Unidos. Exigir melhores condições de trabalho, democratização e negociações salariais é quase um tabu na terra do sonho americano.

Em agosto de 2021, por exemplo, a Amazon foi acusada de ameaçar seus funcionários que se encontravam em processo de eleição sindical. Como resultado, muitas pessoas teriam votado contra a associação.

Já a Activision Blizzard não gostou nada que os desenvolvedores do game Call of Duty: Warzone tenham sido favoráveis ao pleito de sindicalização. Assim, a companhia (que não é novata nas polêmicas), decidiu enviar um comunicado listando as desvantagens da ação para tentar diminuir as investidas.

É claro que não posso deixar de lado Elon Musk, o CEO da Tesla. Em março de 2022, o chefão desafiou uma união trabalhista a formar um sindicato na fábrica da empresa. Ele instigou a United Auto Workers (UAW) a juntar os trabalhadores de uma unidade na Califórnia após um discurso do presidente Joe Biden.

A questão de organização de profissionais é algo complicado nos EUA, pois dá a sensação de “tirar o poder” do dono. Argumentos como oferta e procura e liberdade de escolha são fortes na terra do Tio Sam, exigindo mais do que apenas boa vontade para quebrar esses fundamentos.

Com informações: The Verge.

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