Projeto X: Musk pode tornar o Twitter um super app como o WeChat

Bilionário pode reunir diversas funções na plataforma para torná-la multifuncional; analistas dizem que tirar projeto do papel pode não ser tão fácil assim

Yan Avelino
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Depois que Elon Musk ressuscitou o acordo de US$ 44 bilhões para comprar o Twitter, muitos começaram a questionar o que o magnata poderá fazer com a plataforma caso ele a obtenha. Ao que parece, o próprio Musk tem a resposta. Nesta terça-feira (6), ele tuitou que comprar o Twitter é um “acelerador para a criação do X, o aplicativo de tudo” e sua inspiração pode ser o app chinês WeChat.

Logotipo do Twitter
Twitter (Imagem: Vitor Pádua / Tecnoblog)

Por mais que Musk não tenha detalhado o que quis dizer com a afirmação, tudo leva a crer que o bilionário planeja transformar a rede social em um “super aplicativo” — isto é, se comprá-lo mesmo.

“Super apps” nada mais são do que softwares que permitem fazer de tudo: pedir comida, chamar um taxi, enviar mensagens e até realizar pagamentos. Com isso, não há a necessidade de ter vários aplicativos para diferentes funções.

Esses aplicativos, na verdade, são bastante populares no continente asiático. Um grande exemplo é o WeChat, da chinesa Tencent. Segundo dados da própria empresa, o app conta com mais de 1,2 bilhão de usuários, dos quais pelo menos 900 milhões o utilizam todos os dias.

Durante uma reunião com funcionários do Twitter em junho passado, o diretor executivo da Tesla já havia expressado certa admiração pelo WeChat. Musk disse, inclusive, que não havia um app equivalente a ele fora da China.

“E acho que há uma oportunidade real de criar isso”, afirmou. “Você basicamente vive no WeChat na China porque é muito útil para sua vida diária. E acho que se pudéssemos conseguir isso, ou mesmo [chegar] perto disso com o Twitter, seria um imenso sucesso”, concluiu.

Um recurso de destaque no app chinês é o WeChat Pay, que realiza pagamentos apenas escaneando um código QR e também envia dinheiro para contatos dentro do bate-papo — algo que o WhatsApp implementou posteriormente. Musk disse que adotar recursos de pagamentos no Twitter seria uma “coisa interessante de se fazer”.

Fato é: super aplicativos parecem não ser uma ideia muito viável na América e na Europa, haja vista que eles não têm muita força em mercados ocidentais. Musk já revelou seu desejo de ter pelo menos um bilhão de usuários ativos no Twitter mundialmente — hoje, contudo, a plataforma conta com cerca de 400 milhões.

Torná-lo realidade pode não ser fácil, dizem analistas

Em entrevista ao CNN Business, analistas alegaram que Musk pode enfrentar diversos problemas para tornar o “X” uma realidade.

O primeiro deles é o cenário extremamente competitivo. Segundo Ivan Lam, analista da Counterpoint Research, o WhatsApp, o Facebook, o YouTube e até o TikTok fazem “de tudo” para se tornar “super aplicativos”.

Já Xiaofeng Wang, analista da Forrester, diz que quando o WeChat Pay foi lançado, não havia muitos concorrentes estabelecidos. “Enquanto isso, nos EUA, já existem PayWave, Apple Pay, Google Pay, PayPal, Venmo”, afirma.

Foto pot James Duncan Davidson/TED Conference/Flickr
Elon Musk é maior acionista individual do Twitter (Imagem: James Duncan Davidson/ Flickr)

Outro problema que Musk também pode enfrentar são as agências reguladoras mundo afora, que tendem a interpretar tentativas como a do bilionário como um “atentado” às leis antitruste.

“O ambiente regulatório mais flexível na China na época deu a empresas como Tencent e Alibaba mais espaço para se estender a uma ampla gama de negócios”, afirma Wang.

E acrescenta: “Seria muito mais difícil agora, dadas as regulamentações antimonopólio mais rígidas na China e certamente seria mais difícil para o Twitter ou o futuro X fazer isso nos EUA.”

Ainda assim, o grande desafio de Musk, para Ivan Lam, pode ser tentar atingir todos os públicos com um “aplicativo de tudo”.

Segundo ele, apps como o WeChat têm públicos-alvos específicos, o que facilita a adaptação dos serviços com base em suas necessidades. Para Lam, isso seria difícil de replicar deforma global.

Com informações: Bloomberg, CNN Business

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