Sob nova direção: Elon Musk chega ao Twitter com os dois pés na porta

Primeiro dia de Elon Musk no Twitter já tem executivos demitidos e promessa de conselho de moderação "amplamente diverso"

Giovanni Santa Rosa
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Elon Musk é o novo dono do Twitter, e chegou chegando. Nesta sexta-feira (28), seu primeiro dia no comando da rede social, várias mudanças estão sendo anunciadas, preparadas ou especuladas: a volta de Donald Trump e outros banidos à plataforma, um conselho de moderação, Musk no cargo de CEO, preocupações com a segurança e muito mais.

Elon Musk
Elon Musk (Imagem: Vitor Pádua/Tecnoblog)

CEO da Tesla e SpaceX e pessoa mais rica do mundo, Elon Musk não comprou o Twitter só para expandir seus negócios. O bilionário, que já usava com frequência o microblog, disse desde o primeiro momento que via a plataforma como essencial para os debates públicos e queria garantir mais liberdade de expressão.

A partir de agora, vamos ver como ele entende isso.

Executivos saem do Twitter

Segundo a Bloomberg, Musk já se colocou no cargo de CEO do Twitter. A mudança não foi anunciada oficialmente — ele só colocou “Chief Twit” na bio da sua conta — mas parece real.

A página de lideranças da empresa está fora do ar; em sua última atualização, por volta de 15h da sexta-feira (28), Parag Agrawal não constava mais no cargo de CEO.

Em maio, Musk e Agrawal entraram em rota de colisão nas discordâncias sobre a quantidade de contas automáticas — os famosos “bots” — no Twitter. O chefe da Tesla e SpaceX mandou até um emoji de cocô para o então CEO do Twitter.

Agrawal não foi o único. Outros executivos começaram a ser demitidos na quinta-feira (27).

Segundo o New York Times, Ned Segal (diretor-chefe de finanças), Vijaya Gadde (executiva de assuntos políticos e legais) e Sean Edgett (conselheiro geral) saíram da companhia.

Bret Taylor, que era presidente da empresa, já removeu o cargo de suas redes sociais.

Musk promete conselho de moderação diverso

Um dos primeiros anúncios de Musk foi que o Twitter terá um conselho de moderação de conteúdo com “pontos de vista amplamente diversos”.

O novo dono da plataforma diz que nenhuma grande decisão de conteúdo ou reestabelecimento de contas vai acontecer antes de o conselho se reunir.

Este último ponto é especialmente importante. Uma das primeiras notícias que surgiram após Musk assumir o comando foi que ele poderia permitir o retorno de pessoas que foram banidas permanentemente da plataforma.

Entre elas, estaria Donald Trump, ex-presidente dos EUA, banido após a invasão do Capitólio, em 6 de janeiro de 2021.

Musk havia dito, durante um evento em maio, que a decisão de banir Trump havia sido “moralmente errada e completamente estúpida”.

Em sua rede Truth Social, Trump disse estar muito feliz que o Twitter agora está “nas mãos de alguém são”, mas não falou sobre um possível retorno.

Pela última mensagem de Musk, isso só poderá acontecer depois de formar um conselho de moderação.

Twitter agora é uma empresa de capital fechado

Um aspecto importante da compra do Twitter é que Elon Musk não apenas assumiu o controle da empresa — ele comprou todas as ações e vai tirá-la da lista da Bolsa de Valores de Nova York, fechando seu capital.

Isso dá a Musk muito mais flexibilidade na hora de comandar a plataforma. Empresas de capital aberto são obrigadas a publicar balanços financeiros trimestrais e têm que cumprir outras regulações — além de, claro, estarem sujeitas às reações dos acionistas. O bilionário está livre de tudo isso.

Por outro lado, ele pode sofrer pressão dos bancos que emprestaram US$ 12,5 bilhões para que o negócio pudesse ser concluído

Com o capital fechado, Musk não precisa dar satisfação para investidores. Como explica o NYT, o conselho de diretores será dissolvido. O novo dono formará outro, já a lei exige isso. Provavelmente, os diretores serão pessoas próximas a ele.

“Minha expectativa é que Musk comande a empresa como uma ditadura amigável”, diz Eric Talley, professor da Columbia Law School, ao NYT.

Com informações: Ars Technica, The New York Times, The Guardian, NPR, Wired.

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