Elon Musk culpa carta-aberta de ativistas pela perda “massiva” de receita

Companhias como Audi e GM já pausaram os anúncios na rede social do passarinho; novo dono afirma que nada mudou na moderação de conteúdo

Ricardo Syozi
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A jornada de Elon Musk com o Twitter ainda está longe de chegar na calmaria. Em um tuíte na manhã da sexta-feira (4), o novo dono afirmou que a rede social sofreu uma queda “massiva” em sua receita. O empresário não demorou nada para apontar os culpados: grupos ativistas que estão pressionando patrocinadores.

Elon Musk
Elon Musk (Imagem: Vitor Pádua/Tecnoblog)

Após fechar a compra do Twitter no fim de outubro, o CEO da Tesla vem causando grandes alterações tanto para os usuários quanto para os funcionários. Além de mudar a interface da página e sugerir mudanças no selo de verificado, o chefão já realizou demissões de empregados e executivos.

Entretanto, ele considera que a diminuição de empresas interessadas em colocar propagandas no site é culpa exclusiva de ativistas.

Uma organização de sociedade civil enviou uma carta aberta na terça-feira (1) pedindo para as marcas que patrocinam o Twitter deixem de fazê-lo. No texto assinado por mais de 30 grupos diferentes, eles mencionam que o empresário disseminou uma teoria da conspiração sobre o ataque violento ao marido de Nancy Pelosi, oradora da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos.

Além disso, os ativistas apontam as demissões em massa e dão ênfase no aumento dos discursos de ódio assim que Musk assumiu o site:

Não apenas os extremistas estão celebrando a aquisição do Twitter de Musk, eles estão vendo como uma nova oportunidade para postar linguagem e imagens mais abusivas, assediadoras e racistas. Isso inclui claras ameaças de violência contra pessoas com quem discordam. Sem deliberar esforços do Twitter para abordar esse tipo de abuso e ódio, suas marcas estarão apoiando ativamente acelerando o extremismo.

Por fim, o grupo pede que as companhias protejam a segurança de seus nomes, exigindo uma responsabilidade moral e cívica para “ir contra a degradação de uma das maiores plataformas de comunicação do mundo”.

No entanto, Elon Musk afirma em seu tuíte que “nada mudou com a moderação de conteúdo”, mas não é bem assim.

Desconfiança foi gerada rapidamente

Uma das primeiras grandes mudanças foi a saída da diretora de clientes do Twitter, Sarah Personette. Ela decidiu deixar a companhia no dia 28 de outubro. Todo o relacionamento da rede social com os patrocinadores era feito pela profissional.

Sarah Personette
Sarah Personette (terceira pessoa da esquerda para a direita) (Imagem: Reprodução / Adweek)

Ademais, segundo a Bloomberg, funcionários perderam o acesso a algumas ferramentas de moderação, criando um ambiente de preocupação sobre desinformações. Tudo isso antes das eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, que ajudam a eleger novos representantes do senado americano.

Dessa forma, um nível de desconfiança surgiu na plataforma. O The Wall Street Journal reportou que empresas como GM, Audi, General Mills e Pfizer decidiram pausar suas investidas de marketing na rede do passarinho azul. Outras como Mondelez e Volkswagen, por exemplo, estão repensando nas estratégias de suas marcas no site.

Vale destacar que a Mondelez faz parte da lista dos 20 maiores anunciantes do Twitter. Só para ilustrar, 90% da receita da companhia no segundo trimestre de 2022 se deve aos anúncios. Ou seja, a saída de nomes fortes afetaria enormemente os lucros de Elon Musk.

O CEO da Tesla precisa ajeitar a casa o quanto antes para fazer valer o investimento de US$ 44 bilhões.

Com informações: TechCrunch.

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