Tablet da Dolby para cinemas é homologado pela Anatel

Dispositivo integra sistema de acessibilidade para cinemas da Dolby

Felipe Freitas Everton Favretto
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A Dolby teve o seu tablet para acessibilidade aprovado na Anatel. O dispositivo integra o Dolby Accessibility Solution, sistema da empresa que é instalado no servidor do cinema. O tablet da empresa possui o aplicativo Assista para que os usuários utilizem recursos de acessibilidade durante a exibição dos filmes.

Tablet Dolby Accessibility Solution (Imagem: Reprodução/Tecnoblog)
Tablet Dolby Accessibility Solution (Imagem: Reprodução/Tecnoblog)

Faltando menos de dois meses para o fim do ano, a movimentação da Dolby para “lançar” o produto vai ao encontro da legislação brasileira. A partir de 1º de janeiro de 2023, todos os cinemas brasileiros serão obrigados a contar com recursos de acessibilidade em suas salas — o prazo foi adiado duas vezes.

Tablet Dolby para acessibilidade

Nos documentos da homologação não há nenhuma menção ao hardware do tablet. Contudo, ele tem o suficiente para rodar o aplicativo Assista da Dolby — que é o seu foco. Neste app, o usuário poderá escolher o recurso que melhor atende às suas necessidades: audiodescrição, closed caption descritiva e intérprete de libras — dando a opção de escolher um intérprete humano ou virtual.

Dolby Accessibility Solution (Imagem: Reprodução/Tecnoblog)
Dolby Accessibility Solution (Imagem: Reprodução/Tecnoblog)

O tablet possui conector para fone de ouvido e a Dolby fornece para os clientes este equipamento. Seguindo a legislação brasileira, os cinemas também serão obrigados a contar com esse acessório para os usuários que necessitem do recurso de acessibilidade. E o fato de ter um conector para fones permite que o público também leve seu próprio equipamento.

Cinemas já fornecem equipamento para acessibilidade

Você pode nunca ter visto alguém usando um equipamento assim, mas eles existem. O problema é que os cinemas ainda não são obrigados a contar com esses recursos. O máximo que eu vi nos anos indo ao cinema foi um deficiente visual assistindo ao filme com uma companhia — que pode explicar os detalhes visuais da cena. 

Ainda assim, uma rápida pesquisa no Reclame Aqui mostra que algumas das principais redes do Brasil não contam com dispositivos para audiodescrição, além de que há diferenças entre salas da mesma rede: um cinema em uma cidade pode contar com o equipamento, enquanto em outra região não há o recurso. Pelo que fica entendido do manual, a Dolby já fornece aos clientes brasileiros um Zenfone 4 Max. 

Então talvez você até tenha dividido uma sala de cinema com alguém usando o Dolby Accessibility Solution. Porém, acabou não reparando por causa do tamanho do celular — as dimensões aproximadas do tablet Dolby são 17 cm x 9 cm. 

Dolby Accessibility Solution (Imagem: Reprodução/Tecnoblog)
Tablet Dolby Accessibility Solution (Imagem: Reprodução/Tecnoblog)

A Lei Brasileira de Inclusão, que exige equipamentos de acessibilidade em cinemas, foi aprovada em 2015. No texto, a lei entraria em vigor a partir de janeiro de 2020. Em dezembro de 2019, o presidente Jair Bolsonaro editou uma medida provisória (MP) adiando a obrigatoriedade para janeiro de 2021. 

Em 2021, o Senado aprovou uma outra MP, publicada em dezembro de 2020, que prorrogou a lei para 1º de janeiro de 2023. A relatora da aprovação, senadora Soraya Thronicke, justificou que os cinemas precisam de mais tempo para se recuperar dos prejuízos causados pela pandemia. Segundo o Ministério do Turismo, entre 50% e 70% das salas do Brasil ficariam irregulares sem a prorrogação da lei.

Dolby Accessibility Solution

Como dito anteriormente, o tablet não é um produto separado. Ele é a “etapa final” do Dolby Accessibility Solution. O produto da Dolby conta com um servidor (Mini PC equipado com um Intel Pentium J4205) e roteador Wi-Fi. 

O Mini PC é conectado ao servidor do cinema, onde está o conteúdo de acessibilidade. O recomendado pela Dolby é que cada sala tenha um único roteador.

Com informações: Agência Senado

Felipe Freitas

Repórter

Jornalista graduado pela UFSC, interessado em tecnologia e suas aplicações para um mundo melhor — ou mais prático. Tem certeza que o futuro é elétrico e dobrável. Iniciou no jornalismo aos 16 anos, cobrindo MMA para o MMA Brasil.

Everton Favretto

Assistente de Conteúdo

Everton Favretto é bacharel em Tecnologias Digitais pela UCS e caça homologações da Anatel para o Tecnoblog. Gosta de telefones (velhos e novos) e está sempre pronto para falar de aviões. Consegue identificar um modelo de 737 olhando para a fotografia dele e tem um Raspberry Pi Zero W na sacada só para rastrear as aeronaves por ADS-B.

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