Presidente americano poderá autorizar ações cibernéticas em outros países

Congresso americano votará nos próximos dias o orçamento em segurança; texto aponta investimento de US$ 858 bilhões e cria novo poder para presidente

Felipe Freitas
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Nos próximos dias, o congresso americano votará para aprovar o orçamento de Segurança Nacional dos Estados Unidos em 2023. Incluso no texto está o poder para o presidente americano autorizar contra ciberataques em “ciberespaço estrangeiro”. A lei também aumentará os investimentos em operações de cibersegurança.

Joe Biden, presidente dos EUA (Imagem: Reprodução/Facebook/The White House)
Joe Biden, presidente dos EUA (Imagem: Reprodução/Facebook/The White House)

Para 2023, os Estados Unidos terão US$ 858 bilhões de dólares no orçamento da Defesa. Do total, US$ 44 milhões serão alocados nas operações “hunt forward” (caça adiantada, em tradução livre). Nessas operações, de cunho defensivo, o Comando Cibernético Americano auxilia uma nação aliada a se proteger de atividades maliciosas em suas redes.

Lei cria contra-ataque virtual e mira nações inimigas

Apesar do orçamento afirmar que o presidente será autorizado a ordenar as invasões em casos de “ataques em curso ao ciberespaço por uma força estrangeira”, a medida criará mais um campo de tensão entre Estados Unidos e Rússia — além da China e Irã.

Desde a invasão à Ucrânia, o governo americano, Reino Unido e União Europeia acusam a Rússia de ciberataques e avisam de riscos da ditadura de Putin retaliar as sanções com grupos hackers.

Alguns dias antes do início da Guerra russo-ucraniana, “iniciada” em 24 de fevereiro, algumas refinarias na Europa sofreram “apagões” em seus sistemas. A própria Ucrânia teve sites do governo atacados antes do início da invasão, como forma de bloquear a divulgação de informações para os cidadãos ucranianos — o que justifica uma parte das aspas sobre o início da invasão física.

As suspeitas desses ataques caíram sobre a Rússia (surpresa). O grupo hacker Sandworm é acusado de ser uma divisão cibermilitar das forças armadas russas. Logo, com a autorização de contra-ataque virtual, um ataque cibernético aos Estados Unidos ou algum aliado seria uma justificativa legal (não que isso mude algo no nível de espionagem) para o Tio Sam ciberatacar uma nação rival. E geralmente são sempre as mesmas figurinhas carimbadas: China, Irã e Rússia.

EUA diz estar preocupado com associação do governo chinês com hackers (Imagem: Thomas Classen/Flickr)
EUA já acusou a China de ser uma das principais ameaças cibernéticas para a segurança americana (Imagem: Thomas Classen/Flickr)

Com a guerra russo-ucraniana nem na metade e as acusações de que o Irã está vendendo drones para a Rússia, Joe Biden usará bastante a sua autorização de contra ataque virtual em defesa da Ucrânia. 

Autorização traz diferenças com a captura de bin Laden

Em 2011, para capturar Osama bin Laden, a força especial americana Comando de Operações Especiais Conjuntas (JSOC, sigla em inglês) invadiu o Paquistão para realizar uma operação na cidade de Abbottabad, onde o líder da Al-Qaeda estava escondido. O governo paquistânes não foi informado da ação militar. 

Na época, o caso trouxe discussões sobre violações da soberania de países para a captura de pessoas procuradas em outras nações. Mas, além da diferença entre “mundo virtual” e mundo real, a autorização de contra-ciberataque tem o papel defensivo. Na teoria, o presidente só pode aprovar a operação se um ataque estiver em curso — e esse ataque pode ser realizado por um grupo sem ligações governamentais.

Ainda assim, mesmo que o congresso americano não aprove o texto, 2022 mostrou que o “ciberespaço” definitivamente se tornou um front no cenário geopolítico. O “cibermilitarismo” será cada vez mais forte nas defesas armadas de todas as nações.

Com informações: Cyber Scoop, Politico e TechRadar

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